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DEPOIMENTO DE APROVADO: Stanley Valeriano, Procurador da República

Tudo é possível!

Há um programa de TV inglês chamado TUDO É POSSÍVEL! A ideia é de que todos são capazes de fazer qualquer coisa, dependendo do treinamento adequado e do empenho de cada um.
Digo para explicar minha caminhada para a aprovação no MPF.
Após a faculdade, emendei direto um mestrado, sempre conciliando com trabalho. Era servidor da Justiça Federal. Depois, resolvi dar um tempo nos estudos e investir em projetos pessoais. Comecei também a exercer uma função de assessoria, que deu uma certa tranquilidade financeira e me exigia bastante, tendo ficado alguns anos afastado dos estudos para concursos.
Quando decidi de fato que era hora de retornar aos estudos, tive a clareza interna de que o cargo desejado era o de Procurador da República. Lembro-me, de forma muita viva, que foi um daqueles momentos que o Caio Fernando Abreu chamada de “pequena epifania”: era meu aniversário, um dia ensolarado e de setembro e eu estava atravessando a Avenida Paulista, quando “a voz do anjo sussurrou no meu ouvido”, como diz a letra de uma música do Alceu Valença.
As inscrições para o 24º concurso estavam abertas e eu resolvi fazer, mesmo sem estar estudando, para ver como era. Resultado catastrófico, evidentemente! Prova de Constitucional do José Adércio, que causou espanto na época com suas perguntas sobre constitucionalismo termidoriano, constitucionalismo wigh1efeito cliquet2, etc.
O que eu vi naquela prova é que não era um concurso para se fazer de qualquer jeito, exigiria uma preparação específica! Comecei a procurar um curso preparatório, fiz um curso extensivo de um ano (2008). E o ano seguinte (2009) foi todo em casa, estudando. Aprendi lá, não apenas a estudar para uma bibliografia específica para o MPF, com suas peculiaridades em certas matérias, mas também que o estudo e a própria prova exigem uma estratégia (“do grego 'estrategía'”, como diz a cena hilária de Tropa de Elite).
A estratégia, no caso, envolve uma revisão das matérias que você já conhece, se aproximar das matérias novas que você nunca estudou provavelmente (no meu caso, eleitoral, econômico, alguns aspectos de direito indígena, um “approach” totalmente diferente de direitos humanos).
Só que para surpresa e desgosto inicial de todos, houve um hiato de 3 anos entre o 24º e o 25º concursos, nesse meio tempo, resolvi fazer os concursos para Juiz Federal que fossem aparecendo... direcionei os estudos para uma ênfase em leitura e resumo de informativos do STF e STJ, muita resolução de exercícios do CESPE e os resultados começaram a aparecer. Classificação para a 2ª fase no TRF3 (2010): cheguei até a prova de sentença, ficando eliminado por 0,5.
Nessas horas, bate um certo desânimo! As pessoas sempre vêm dizer: “Você está quase lá, bateu na trave”. Ok, mas bater na trave não ganha campeonato e os pontos não qualificam para o próximo. Começa outra partida, com tudo zerado.
Enfim, após 3 anos, veio o CPR25, mas eu tinha descuidado um pouco do edital do MPF, veio banca nova, novas matérias (especialmente, Direito Humanos e DIP, num nível totalmente diferente do que estávamos acostumados a ver em outros concursos) e eu não me classifiquei para 2ª fase. Ali, outra desanimada! Aqueles pensamentos do tipo: esse concurso não é mesmo para mim, etc. Enfim, para quem está estudando. São recorrentes essas ondas de otimismo e boas notícias, alternando com as fases de cansaço e decepção. O mais importante é manter-se em atividade. Não perder o foco e ter alguns objetivos, adiante.
Com a realização do CPR26, fiz um estudo intensivo, levando em conta a banca do CPR25 e as últimas provas, leituras direcionadas para cobrir as falhas na preparação. Atenção a matérias que não vinha dando importância como econômico, eleitoral e internacional/direitos humanos. Não tinha muitas esperanças, mas afinal veio a boa notícia e a classificação para a 2ª fase.
Depois disso, foi sempre manter o foco: fiz um curso específico para 2ª fase, usava todo tempo livre para estudar e dei o máximo de mim, nessa época. Com o resultado, veio a alegria e o medo de enfrentar minha primeira prova oral.
Também houve uma preparação intensa e bem direcionada: tirei férias para estudar, fiz curso de oratória, curso e simulado para prova oral, grupo de estudos, um excelente grupo de troca de material e informações pela internet. Fiz também um curso específico de Direito Penal, que era uma deficiência da minha formação, e algo que eu tinha medo que me engasgasse na hora da prova oral.
Apesar de toda a tensão, os examinadores foram todos muito educados e a prova oral transcorreu sem nenhum grande sobressalto. Mas é aquela expectativa: você nunca tem certeza se foi realmente bem. Por fim, veio a boa notícia da aprovação e o fim dessa saga.
Talvez meu relato tenha ficado um pouco longo e se você estiver sem tempo ou paciência para ler tudo, eu posso resumir para você em algumas frases. Longe de serem lugar comum, são resultado da minha experiência pessoal e eu tenho sempre repetido às pessoas e aos amigos que vêm me pedir dicas: 1) Não existe receita pronta: cada pessoa tem um “background” diferente, parte de um nível, tem uma capacidade de assimilação e uma disponibilidade de tempo diferente; para cada um funciona diferente, mas o resultado só vem com o trabalho; 2) Método é tudo! Tenha objetivos definidos, trace metas, separe tempo para o estudo, monte cronogramas de horários e de conteúdos a serem cumpridas e, principalmente, siga-os, do modo mais fiel possível... 3) Tenha horas de lazer e descanso e sempre guarde tempo para a prática de atividade física (mesmo que reduzindo nas épocas de estudo mais intensas); 4) Tudo é possível: todo mundo pode chegar lá, mas depende do empenho e esforço que se está disposto a fazer... 5) Não existe mágica: a aprovação num concurso público é resultado de um processo, uma preparação, isso exige esforço, tempo e dedicação!

20 comentários:

  1. Dr. Stanley, muito obrigada pela postagem! Foi de muita valia pra mim, pois meu desejo é ser Procuradora da República.
    Grata, Fernanda Vieira.

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    1. Oi, Fernanda.
      Fico feliz que meu depoimento tenha te inspirado. Espero que vc continue firme nos seus propósitos e objetivos.
      Sucesso!
      Abraço.
      Stanley.

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  2. eu estou na fase do "esse concurso não é pra mim", rs...mas o post foi bem inspirador e demonstra que as dificuldades existem pra todos, uns mais outros menos...espero chegar lá também...obrigado!
    José Abraão

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    1. José Abraão,
      Como eu disse no meu depoimento, creio que tudo é possível para todos. Para alguns, demandará mais esforço, outros terão mais facilidade em um ou outro ponto. Mas tudo depende do quanto vc está disposto a se entregar ao seu objetivo e se empenhar por ele.
      Força e coragem.
      Abraço.
      Stanley.

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  3. Respostas
    1. Obrigado, Luan. Foco, força e fé. Abraço.
      Stanley.

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  4. Esse tipo de depoimento é de grande valia para quem está nessa fase de preparação .

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  5. Infelizmente eu estou na fase de "esse concurso é para mim"...me formei, passei no concurso do MPF e hj sou assessor, cuidei de projetos pessoais e decidi agora voltar a estudar. Mas, como diz o poeta: "toda caminhada começa com um primeiro passo.. Se avexe não". Espero sobreviver aos anos de labuta que me esperam. Depoimento de grande valor, muitíssimo obrigado.

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    1. Ricardo,
      Trabalhar e estudar é difícil e a gente sempre muitos momentos em que a vontade de desistir nos assombra.
      Mas, é preciso persistir.
      Batalhe e a vitória virá.
      Abraço.
      Stanley.

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  6. Stanley é um dos caras que eu mais admiro dentre os aprovados no MPF. História real, de pessoa normal, que passou. É isso que motiva quem tá na busca pela meta da aprovação. Vlw!!

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    1. Obrigado, Fernando. Não acredito em heróis, nem em gênios. Acredito que a história é feita pelas pessoas normais, com suor, coragem, resistência e persistência.
      Grande abraço e boa sorte no projeto MPF.
      Abraço.
      Stanley.

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  7. Ė meu irmão, você sempre foi motivo de orgulho e alegria. Sempre foi a menina dos olhos de seus pais e irmãs. Realmente, coo a voz do anjo sussurou no seu ouvido quanto a ser Procurador, sussurou no nosso que não precisávamos preocupar, pois você teria sucesso na vida e seria um homem de bem. Parabéns pelo depoimento, pela luta, pela garra e principalmente pelo caráter inquestionavelmente ilibado! Amo você!

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    1. Obrigado, Ni. Te amo. Vc é uma inspiração pra mim, por ser esse vulcão de força e coragem.
      Beijão, irmã.
      Stanley.

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  8. Ė meu irmão, você sempre foi motivo de orgulho e alegria. Sempre foi a menina dos olhos de seus pais e irmãs. Realmente, coo a voz do anjo sussurou no seu ouvido quanto a ser Procurador, sussurou no nosso que não precisávamos preocupar, pois você teria sucesso na vida e seria um homem de bem. Parabéns pelo depoimento, pela luta, pela garra e principalmente pelo caráter inquestionavelmente ilibado! Amo você! Nizete

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  9. Muito legal ler o seu depoimento, Stanley!
    Fico feliz quando encontro depoimentos de pessoas que primeiro ingressaram em um mestrado antes de perceber que era uma carreira pública que gostariam, assim como eu, e que por isso apenas começaram a estudar para concursos mais tarde.
    É um fato raro entre os aprovados, mas mostra que é possível, em qualquer parte do caminho, direcionar-se para o que se quer.
    Parabéns pela sua trajetória!
    Fernanda.

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  10. Depoimentos assim inspiram meeesssmooo!! A gente se visualiza e percebe que também pode!! Nada daquilo de que em pouco tempo foi aprovado nos primeiros lugares...

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  11. Stanley,
    obrigada pelo depoimento, cujos detalhes se aproximam ao cotidiano da maioria dos "concurseiros". Sou analista processual no MPU há mais de 10 anos, tenho quase 41 anos de idade e um sonho: ser Membro do MPF. Sem coragem para o pontapé inicial, sempre achando que passou tempo demais e que a caminhada é muito longa... Mas hoje você me inspirou com sua história e sua trajetória. Parabéns e sucesso sempre!

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