Quem passa diariamente por aqui, PASSA!

Depoimento de aprovado: Ministério Público do Estado do Pará

Boa tarde gente!!! Hoje tem post motivacional da minha grande amiga Nayara Negrão, recém aprovado para Promotora de justiça do MPE/PA!! Vamos lá!


Oi, gente!
Meu nome é Nayara e, recentemente, fui aprovada no concurso para Promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Pará. A Nathalia pediu que eu fizesse um relato sobre a aprovação e trajetória nos concursos e, como sei o quanto é motivador ler sobre histórias que deram certo - porque nos ajudam a desmistificar a aprovação e acreditar que não é impossível, vou tentar contar um pouquinho do que passei pra vocês.
Inicialmente, confesso que quando a Nathalia pediu que fizesse o depoimento, fiquei apreensiva porque acho que ainda tenho muito a aprender e não sei se realmente estou qualificada para dar dicas. A gente sempre faz prova achando que não está suficientemente preparado e agora pude perceber que, mesmo quando a aprovação chega, o sentimento permanece (ainda tá difícil acreditar que consegui, então perdoem se eu falar disso  como se estivesse sonhando Hehe).
Bom, depois de um tempo na estrada de concursos (foram cinco anos), aprendi que cada um possui suas peculiaridades e preferências de estudo e o que funciona para uma pessoa pode não ser tão efetivo para outra. Portanto, vou tentar falar um pouquinho do que deu certo pra mim e tentar ajudar contando como estudei em cada fase.
Fiz Direito na UFPA e não aproveitei os cinco anos de faculdade como deveria ter aproveitado. Embora já soubesse que queria prestar concurso, não fui uma aluna exemplar e não me dediquei aos estudos na época. Mas não tentem isso em casa! huahua Não  construir uma base na faculdade dificulta e adia a aprovação.
Estagiei durante aproximadamente dois anos no MPF/PRPA e foi lá que me apaixonei pelo Ministério Público.
Terminei a faculdade no início de 2010 e fiquei um pouco perdida. Sabia que por estar, literalmente, começando a estudar, ia enfrentar um longo caminho e precisava trabalhar pra me sustentar nesse ínterim. Então decidi prestar concursos de técnico e analista pra ter tranquilidade.
Nessa época, meu ritmo ainda era bem fraco. Costumo dizer que só estudava de verdade, “valendo” hehe, nos três meses entre a publicação dos editais e as provas. Lia bastante lei seca, sinopses e só pegava em doutrina para ver alguns assuntos mais importantes ou que tinha dificuldade para entender. Mas acho que o principal, que possibilitou minha aprovação em cargos de analista – e, posteriormente, na primeira fase de alguns concursos, foi fazer muitas questões de provas passadas. Lembro que nos dois meses que antecederam o concurso pra analista do TRF 1º Região, fiz mais de duas mil questões (no site “questoesdeconcursos” dá pra contar, fiquei obsessiva huauha). Obs.: Recomendo muito esse site pra resolução de questões.

Algumas pessoas perguntaram se eu assistia aulas. Bom, EU nunca gostei. Até tentei fazer cursinho mas devo ter problemas sérios de concentração porque, quando menos percebia, estava desenhando estrelinhas e corações no caderno. Enfim, não dava certo pra mim e desisti. Sempre tive mais facilidade para aprender lendo. Mas muitos amigos concurseiros adoravam assistir aula e assimilavam melhor assim. É como eu disse, cada pessoa tem um jeito diferente de estudar. O importante é encontrar o método que mais funcione pra você e não forçar a barra apenas porque “fulano que foi aprovado estudava assim”.
Continuando... Consegui aprovação em algumas provas de analista (TRF – 1º Região, TRE/AP, MPE/PA), em posições relativamente boas, aí fiquei mais tranquila para fazer os “concursos maiores” (vale ressaltar que não imaginava que esperaria dois anos ou mais pra ser nomeada hehe).
Apesar de achar que não tenho vocação, comecei estudando para a advocacia pública porque estava tendo uma série de concursos no meu Estado e queria ficar aqui. Fiz duas vezes PGE/PA (reprovei na primeira fase de uma e na segunda fase da outra) e Procurador Autárquico e Fundacional do Estado do Pará. Nesse último, reprovei na terceira fase e estava em 14º lugar, concorrendo com 74 pessoas a 60 vagas. Acho que passei uma semana trancada no quarto chorando. Huahua Mas aprendi lições importantes. A primeira é que você só está realmente “passado” quando lê seu nome na lista dos aprovados na última fase. E a mais importante: Deus tem um plano maior e muito melhor pra sua vida do que você pode imaginar.
Em setembro de 2012, assumi o cargo de agente administrativo no Ministério da Saúde, depois analista judiciária do TRE/AP, depois auxiliar administrativa do TJ/PA e, finalmente, analista jurídica no MPE/PA. Esse último cargo foi o que, de fato, mudou o rumo das coisas pra mim. Lembrei o quanto me identificava com a carreira, o quanto me dava prazer trabalhar com aquilo. Se me apaixonei pelo MPF, descobri o amor no MPE/PA. Hauhau Foi quando decidi que queria ser Promotora de Justiça, não importava onde. Inclusive não assumi o cargo de analista no TRF, mesmo com um salário consideravelmente melhor, porque preferi continuar tendo contato direto com os assuntos que precisava estudar.
A partir daí, iniciei um ritmo pesado de estudos (como deveria ter sido desde o início, diga-se de passagem) e, o mais importante, direcionado. Fiz algumas provas de magistratura estadual pela semelhança entre os editais, mas sempre priorizando os assuntos mais cobrados em prova de Ministério Público. Hoje, quando alguém pede dicas, sempre começo perguntando se a pessoa já sabe o que quer. Descobri um pouco mais tarde do que gostaria o quanto é essencial focar em uma carreira e não se deixar perder pelo caminho. Mas é apenas uma opinião, por ter percebido o quanto fez diferença pra mim.
Em novembro de 2013, começou a ser divulgado que sairia edital do concurso para Promotor de Justiça do MP/PA no início do ano seguinte. Considerando que era a carreira que queria, e “em casa”, intensifiquei mais do que nunca os estudos. Aboli, com raras exceções,  finais de semana e feriados. Tentava estudar um mínimo de seis horas por dia durante a semana (porque trabalhava) e oito horas no final de semana. Sempre que dava, fazia mais que o mínimo. Claro que não dá pra respeitar as restrições religiosamente (sempre tem alguns eventos que não dá pra faltar), mas fazia o possível para não sair da linha.  Me afastei dos amigos, passei a quase não frequentar encontros da família, cancelei redes sociais, foi um ano - e quatro meses - totalmente dedicado ao meu objetivo.
Não tinha tempo pra ler todo o conteúdo por doutrina, muito menos pra fazer resumo de tudo. Bateu um pequeno desespero porque sempre gostei de fazer resumos, sentia que fixava melhor e depois descobri que são maravilhosos para o exíguo período de estudo para a segunda fase e oral.
Então bolei uma estratégia de guerra. Huahau Fiz resumo das matérias que não costumava estudar na época de advocacia pública (penal e processo penal) e o restante tive que confiar no que havia lido nos anos anteriores (os temas mais importantes tentei revisar na doutrina e o que não deu tempo, só lei seca e informativo).
O concurso foi suspenso, atrasou um pouco, mas no final das contas foi bom pra manter o nível de estudo pesado durante mais de um ano.
A primeira fase, na minha humilde opinião de iniciante em provas de Ministério Público, foi difícil. Digo isso porque resolvi várias provas de outros Estados e já estava um pouco familiarizada com o nível. Me dediquei muito pra essa prova e, embora a aprovação no concurso parecesse um sonho distante, tinha esperança de que pelo menos na primeira fase passaria. Saí da prova desiludida. Tinha certeza de que não conseguiria nem metade dos pontos.
No dia do gabarito, nem consegui acreditar enquanto contava as questões marcadas com um “√”. Hehe Chorei copiosamente e agradeci muito a Deus. Eu queria muito aquilo, e ser eliminada na primeira fase não seria fácil. A pontuação não foi excepcional mas deu pra ficar entre os trezentos aprovados para a segunda fase (não recordo a colocação).
Depois de passada a euforia inicial, me dei conta de que não sabia nem por onde começar o estudo pra segunda fase. Havia matérias que eu estava estudando de verdade pela primeira vez e outras, embora já tivesse visto enquanto estudava pra PGE, estavam um pouco apagadas da memória ou não haviam sido vistas com a abordagem necessária para concurso de Ministério Público.
Comecei fazendo um cronograma. Eu era/sou viciada em cronogramas, planejamento de estudos. Sempre gostei de fazer e acho que isso ajuda demais. Delimitar quantos dias se tem ao todo e pra cada matéria é essencial pra traçar o método de estudo, material, ritmo, e ainda evita enrolação, porque há metas a serem cumpridas. Hehe
Após montado o cronograma que contava com, aproximadamente, dois meses até a segunda fase, confirmei o que já imaginava. Não dava tempo de estudar tudo por doutrina. Escolhi alguns temas mais cobrados em prova de MP para ver com mais profundidade e, quanto aos demais, recorri às sinopses e resumos que já tinha (nesse momento, me arrependi de não ter feito mais hehe). Também li e revisei todos os informativos publicados nos dois últimos anos.
Aqui, vou abrir um parêntese, pois até hoje me deparo com concurseiros que não conhecem o site “Dizer o Direito”. Não sou paga pra fazer propaganda nem nada hauauah, mas não poderia deixar de mencionar. Existe minha vida antes e depois do Dizer o Direito. Hauahua Passei a gostar de ler informativo e, principalmente, a entender. Aproveito pra registrar meus agradecimentos mais sinceros ao Professor Márcio por disponibilizar um material tão bom. Sempre que lia os informativos esquematizados, pensava: “No dia que for aprovada, preciso fazer um agradecimento à parte a esse professor!”. Hehe Obs.: O ideal é ler também o informativo completo mas, na falta de tempo, pode-se recorrer sem medo a esse material.
Retomando, foram dois meses de estudo intenso, cansativo, desgastante. Na segunda fase, tudo pode cair: das teorias mais estranhas à doutrina básica. Claro que dá pra ter uma noção através de provas anteriores da mesma instituição organizadora, mas sem garantia de nada. No meu caso, pensava que era quase impossível passar com a deficiência de estudo mais aprofundado que eu tinha em algumas matérias – passei uma vida estudando só pra primeira fase. Hehe
Pra completar, ainda tinha que ler sobre as peças e treinar. Procurei um curso que pudesse corrigi-las e apontar as falhas (eram muitas). Fiz o IPC (Instituto de Planejamento para Concursos) e gostei bastante. O professor (Leandro Muratta) era muito paciente, praticamente ditava algumas peças pra mim. Acredito que fazer um curso no qual alguém com experiência corrigia as peças foi essencial.
A prova foi extremamente cansativa. Com exceção de Penal e Processo Penal, achava que tinha ido muito mal. Tinha tanta convicção disso que, ao invés de estudar para a fase oral ou pelo menos aguardar o resultado, resolvi fazer uma viagem como “prêmio de consolação”. Quando o resultado saísse, eu não ficaria tão deprimida pois estaria em outra realidade. Huahuahu
E pra minha surpresa e gratidão imensa a Deus, o resultado saiu e consegui!! Estava no avião quando as notas foram divulgadas e, ao ligar o celular, tinham muitas muitas mensagens no whatsapp, me parabenizando. Quando comecei a ler, descobri que tinha passado em 1º lugar na  segunda fase. Foi muito difícil acreditar. Até hoje, não sei descrever as sensações que tive ao longo desse concurso. Chorei bastante, ri, verifiquei se ainda não estava dormindo no avião, chorei de novo, inclusive me ofereceram ajuda no aeroporto porque achavam que algo muito sério havia me acontecido. Huahua Foi um dia inesquecível, do qual guardo lembranças com todo o carinho.
Novamente, passada a fase de euforia, caiu a ficha. Eu estava na fase oral. Sempre tive verdadeiro pavor de me submeter a uma prova oral. Sou tímida e tinha (tenho) problemas para confiar no que sabia. Não conseguia explicar dúvida nenhuma pra alguém sem inserir “acho”, “não tenho certeza”, “melhor pesquisar”, “talvez tenha lido” na frase. hehe
Ainda havia três dias de viagem pela frente, mas a vontade era voltar pra casa na mesma hora, era MUITA coisa pra estudar. Resolvi passar esses dias lendo técnicas de oratória, textos motivacionais, dicas de estudo e preparação psicológica pra prova oral (acreditem, é uma das partes mais importante).
A preparação pra essa fase é, de longe, a mais tensa de todas. Embora seja difícil e intensa a da segunda fase, não tem a pressão que existe em uma fase oral. Além do temor de ficar frente a frente com o examinador, ter que lembrar, sistematizar e falar da maneira mais organizada possível com poucos segundos pra pensar assusta demais. Pra piorar, vemos o quanto estamos perto de alcançar nosso sonho e dá um medo paralisante de não conseguir. Ninguém quer “morrer na praia”. Talvez tenham sido os três meses mais tensos da minha vida. Huauha Emagreci quase 5kg de nervosismo.
Estudei por sinopses, resumos, letra de lei, informativos e questões de outras provas orais. Não sei se foi o melhor método (afinal, foi a primeira e última que fiz), mas deu certo, graças a Deus. Pra essa fase, fiz dois cursos. Um deles foi o Apparatus, no qual foram dadas dicas excelentes sobre oratória e comportamento. O outro foi o MEGE, que recomendo bastante por ter uma proposta diferente. Lá, eles fazem encontros pelo Skype, nos quais simula-se a prova (geralmente com a mesma quantidade de examinadores), com atribuição de notas – além de comentários e críticas. Ajuda bastante a se habituar com o clima tenso e a ter um bom parâmetro de como estamos.
Chegou o dia e achei que fosse desmaiar nos minutos que antecederam a prova. Só conseguia pensar que aquele era um dos dias mais importantes e decisivos da minha vida e como poderia – ou não – ser um divisor de águas. Mas consegui manter (aparentar) tranquilidade durante as arguições, responder com calma e confiança. As perguntas não foram difíceis, o problema é lembrar da resposta em poucos segundos.
Dois dias depois, ainda fiz a prova de Tribuna. Eles nos deram um caso pra fazer a sustentação “no Júri”. Apesar de ser apenas classificatória, valia mais que todas as outras provas. Achei que pudesse ficar nervosa e não ir bem, mas naqueles minutinhos de simulação, percebi o quanto queria fazer aquilo pelo resto da vida. Foi a prova mais legal de todas! ahuauhua
Saí aliviada das provas mas, à medida que o resultado ia se aproximando (foram 15 dias de espera), a tensão voltava com força total e o medo de não passar tirou meu sono e minha tranquilidade nesse período. Eu estava a poucos dias de realizar um sonho ou ter uma grande decepção. E é com grande alegria que hoje posso contar pra vocês que meu nome estava na lista de aprovados.
É muito difícil explicar o que senti nessa hora. Mas posso dizer que todos os meus sacrifícios, decepções, sofrimentos e medos se transformaram em lágrimas de felicidade, alívio, gratidão, sorrisos bobos e orgulho. Todas as dificuldades que passei pra chegar até aqui, hoje, parecem pequenas. É felicidade demais pra colocar em palavras.
Então, pode até ser que eu não esteja qualificada pra dar dicas de estudo, métodos, etc., mas posso dar um conselho: não desista! Se desanimar, ache estímulo. Se reprovar, aprenda com os erros. Mas não desista, porque é só uma questão de tempo até o seu dia chegar. E vale cada minuto de sacrifício.

11 comentários:

  1. Depoimento muito bom!! Me identifiquei em vários pontos. Hehe

    ResponderExcluir
  2. Sensacional. Parabéns e obrigado pelas palavras de incentivo.

    ResponderExcluir
  3. Parabéns, Nayara! Também sou da "mangueirosamente" bela Belém do Pará. Teu depoimento deixa claro o porquê de teres chegado onde chegaste. Tua inteligência e humildade a fazem merecedora de todo sucesso! Em tempo, se não for problema e abusando de tua boa vontade, deixo meu contato - renatogod@gmail.com - apenas para tirar uma dúvida quanto à organização de horário de estudos, porquanto tenho encontrado dificuldades de conciliar com o trabalho. Att.

    ResponderExcluir
  4. Poderia colocar a bibliografia sim! Modéstia a parte ela soube como fazer e passou bem passado!

    ResponderExcluir
  5. Parabéns, Dra. Nayara Negrão! Sou Luiz Alexandre Negrão, de São Paulo-SP. Suas dicas são importantes e práticas, porque, para quem já é servidor público e não tem como exonerar do cargo, são valiosas para quem almeja passar no concurso de Promotor de Justiça. É claro que para o concurso do MP-SP as regras são diferentes, mas não muito, e seu relato, além de motivar, confirma algumas trilhas a seguir. Muito obrigado.

    ResponderExcluir
  6. Que depoimento irado! putz! estou me identificando mto com o seu depoimento! Valeu demais!!

    ResponderExcluir
  7. Muito motivador!!! Parabéns.

    ResponderExcluir
  8. Obrigada por compartilhar conosco! Muito motivador e emocionante.

    ResponderExcluir
  9. Parabéns!!!! Fiquei super emocionada ao ler seu depoimento. Obrigada pelas dicas!

    ResponderExcluir
  10. Chorei tanto ao decorrer do seu depoimento, que acho que sofri por imaginação e de forma virtual, o que você sofreu na vida real. O Ministério Público é a instituição que mais admiro e sonho integrar. Obrigada por fortalecer ainda mais esse sonho. Que Deus te ilumine sempre!

    ResponderExcluir
  11. Doutora Nayara.
    Que emocionante o seu relato.
    De fato, ao imaginar acontecendo tudo o que você relata, é quase impossível segurar as lágrimas, ainda mais quando estou com o mesmo objetivo. É impossível não me colocar no seu lugar.
    Ao tempo em que o relato emociona, também traz motivação que até hoje não encontrei nem em curso preparatório.
    Meus parabéns, e que Deus te ilumine para que possa galgar com extrema sabedoria a carreira deslumbrante de um Membro do Ministério Público.
    Pode ter certeza que, quando eu tomar posse, farei menção desse motivacional relato.

    ResponderExcluir

Sua interação é fundamental para nós!