Dicas diárias de aprovados.

DEPOIMENTO DE APROVADO - JOÃO RODRIGO - PGE/PB (O CARA DOS 96 PONTOS)

Olá pessoal tudo bem? 


Hoje é com muita felicidade que trago o depoimento do aprovado JOÃO RODRIGO DOLABELLA, aprovado na PGE/PB. Mais conhecido como o cara que fez 96 pontos na fase objetiva de uma PGE. Impressionante e um exemplo para todos nós.


Como vocês lerão abaixo, o desempenho foi fruto de muito esforço e renúncias. Anos de estudos. 


Desejo o maior sucesso do mundo na carreira e, o mais importante, que seja muito feliz no futuro que escolheu. 


Registro, por fim, a alegria de ter descoberto que o João foi aluno do curso que ministro, o que me enche ainda mais de felicidade. 


Vamos ser o depoimento: 


A história começa em 2009. Formei no ensino médio com o sonho de passar num concurso público. Foi um desejo inato. Quem também tem um sonho vai entender como é. Desde lá falei pra todo mundo, amigos e família, o que queria. E todos me apoiaram. Isso foi fundamental. 

Durante a faculdade, me esforcei pra estudar, mas era algo inconstante. Comprei um livro de processo civil, mas só li alguns capítulos. Baixei pdfs, mas tiveram o mesmo fim. Ainda assim, me empenhava em aprender bem as matérias, sempre com o olhar lá na frente. 

Voamos pra 2017. Formado então há um ano, me matriculei num curso pra procuradorias. Descobri, por impulso natural, que o cargo de procurador do estado era o que eu sempre quis. 

Tinha alguns hobbies: malhava quase todos os dias, mas saí da academia; tinha uma banda, mas também abandonei. Penso que concurso exige uma dose de sacrifício e nunca me agradou a ideia de ser daqueles concurseiros que "não abrem mão disso ou daquilo". Os sacrifícios são nossos aliados. 

Comecei com aquele brilho nos olhos.

 Finalmente estava estudando pra concurso. Era esse meu sonho. Lia feliz os pdfs do curso e tirava notas abaixo de 60 nos simulados, também feliz. Mas não tinha muita disciplina. Sábados raramente estudava e segundas sem estudo eram frequentes. Acredito que todos nós cometemos erros na preparação, mas o que importa é identificarmos esses erros e estarmos dispostos a corrigi-los. 

Minha primeira prova foi a da PGE TO, no fim de 2017 ou começo de 2018 (não me lembro ao certo). Cheguei entusiasmado em Palmas e adorei o lugar. Quando entrei no quarto do hotel, pensei: "quando eu passar, quero ir para o Caribe" (rs). Abri a janela e, de frente pra vista, havia uma boate ou bar com o nome num letreiro grande "Caribe". Aquilo me incentivou de um jeito incrível. Acho que foi fundamental, durante todos esses anos, buscar constantemente sinais para me motivar, seja quando eles existiam ou não. 

Na prova, não cheguei no corte, mas fiquei perto, e vi isso como uma coisa ótima. Voltei pra BH mais disposto ainda.

Logo em seguida, abriu o concurso da PGE SP, e fui fazer. Lembro que a sala estava muito fria, e o pessoal, agitado. Então, para não me distrair, fechei os olhos enquanto esperava a prova, e pedi orientação superior. Não estava preparado, mas fui marcando alternativa por alternativa e saí da prova com uma sensação incrível de dever cumprido. E pra minha surpresa, passei pra subjetiva com 2 pontos acima do corte. Fiquei em êxtase, porque não esperava o resultado. Outra coisa que penso que me ajudou muito (por incrível que pareça) foi ter baixas expectativas. Nunca me frustrei em nenhuma prova, porque não esperava nada (ao contrário dos vários casos que lemos, de gente muito inteligente que se decepciona, quando o resultado não é como imaginam). Então comprei um curso pra discursiva e comecei a estudar muito. Pela primeira vez na vida, comecei a ter dor nas costas - e isso me tirava do sério. Estava tomando também rios de café, pra estudar o máximo que pudesse, porque imaginava que talvez aquela seria minha única chance (rs). Mas houve um porém. Foquei tanto na prova que não troquei meus óculos, que estavam muito fracos. Também não dei ouvidos aos vários alertas de que a prova era enorme, e o tempo, curto. Pensava: "sempre terminei provas muito antes do tempo, agora não vai ser diferente". Hoje em dia chego a rir. 

Na prova, não enxergava a marcação de horários no quadro e me revirava pra buscar os artigos pra fundamentar as respostas (porque lia pouca lei seca nos estudos). De repente, faltando responder mais da metade, o fiscal avisou" "falta meia hora!". Desesperei. Completei as questões do jeito que pude, precariamente, e o resultado vocês imaginam. Fiquei abaixo do corte. Penso que as coisas acontecem porque têm que acontecer, então me resignei e segui adiante. 

2018 foi um ano estranho, me embolando em materiais e seguindo sem muita direção. Sempre tive a sensação de que, se soubesse o que fazer, conseguiria passar. O problema é que, na maior parte das vezes, nós concurseiros não sabemos o que fazer (rs). A matéria é imensa, e as leis, muitas. Tudo bem.

Começa 2019 e algo ótimo acontece. Me matriculei num curso extensivo. Um material para poder ler do começo ao fim e ficar despreocupado em relação ao conteúdo que estivesse lá. Era o que eu precisava. Escolhi a opção de acompanhamento individual e foi ótimo. Pela primeira vez, sabia o que estava estudando e o que ia estudar nos dias seguintes. Isso me dava tranquilidade, pois, se fizesse o que o curso propunha, estaria no caminho certo. 

Fiz a prova da PGM Campo Grande e, para minha surpresa, fiquei em 30 na colocação final, para 10 vagas. Não esperava um resultado desses e me emocionei. 30, para algumas pessoas, não parece algo tão bom, mas para mim foi extraordinário. E me motivou em dobro, porque não estudei especificamente para a prova. Continuei com ainda mais energia. 

A professora que me orientava sempre repetia pra eu ler mais lei seca e cultivar mais o senso de urgência. Afinal, as baixas expectativas eram uma faca de dois gumes: me traziam ótimas emoções com quaisquer resultados, mas me impediam de dar meu máximo. Percebi que ela tinha razão e decidi mudar. 

A mudança é algo que considero essencial nos estudos. Desde os nossos hábitos até a nossa mentalidade. Então no final de 2019 percebi que ainda negligenciava os fins de semana e algumas segundas feiras, porque saía aos fins de semana, e que realmente lia pouca lei seca. E notei que tinha que mudar. É aquela história que ouvimos dos aprovados, sobre o caminho ser um constante "aparar as arestas". Identificar o que ainda podemos melhorar e, depois, efetivamente nos empenharmos em fazê-lo. Repetidamente. 

Lendo lei seca e estudando com mais disciplina, pensei que a aprovação estava próxima. Estava mais confiante que nunca. Então 2020 chegou e, com ele, a pandemia. No começo, mantive o ritmo, mas a rotina e a incerteza generalizada eventualmente se fizeram sentir. 

O ambiente "online", com notícias da reforma administrativa, mais isso e aquilo, eram quase um veneno. Nossa mente é como se fosse um cômodo, onde os pensamentos ocupam espaço. E se enchemos ela com pensamentos "indevidos", não sobra mais espaço pros pensamentos bons. 

Houve dias que, de tão agitada que estava minha cabeça, eu literalmente precisava sair de casa para caminhar. Nunca tinham me ocorrido receios do tipo "e se eu nunca passar?" ou "e se isso, ou aquilo acontecer?". E naquela época, essas ideias começaram a ficar à espreita. Comecei a considerar até mesmo arrumar uma vaga de advogado em algum escritório, pra ocupar o tempo e a mente e, quem sabe, diminuir o espaço nos pensamentos pra preocupação. Então fiz o que foi, pra mim, um divisor de águas. Desinstalei o Instagram do celular (rs). 

A gente aprende muita coisa. E aprende o tempo todo. Só que algumas pessoas aprendem as coisas erradas. Cada vídeo de cachorrinho que assistimos é algo que aprendemos. E no fim do dia, só conseguimos aprender determinada quantidade de coisas. Então decidi que só ia aprender as coisas certas. 

Lendo lei seca, me abstendo de sair (até pela impossibilidade do cenário mundial), não me distraindo com coisas fúteis e cultivando o senso de urgência (mesmo que involuntariamente) os estudos foram de vento em popa. Graças ao bom Universo, generoso e benéfico, minha mãe sempre me apoiou no meu sonho, e conseguimos ficar bem durante a pandemia, comigo podendo estudar. 

Mas a falta de provas é angustiante. Precisamos da experiência do teste, pra ativarmos aquela adrenalina boa que nos mantém com brilho nos olhos por mais vários meses. E na pandemia isso não tinha como acontecer. Mas Deus é realmente bom. Abriu a PGM Sinop, e lá fomos nós para o norte de Mato Grosso. Imaginava que, se eu passasse, ia adorar viver num lugar diferente, com pessoas e jeitos diferentes. Fui motivado. 

E o resultado de muita lei seca veio. 1 lugar na objetiva da PGM Sinop. Fiquei incrédulo. Contei pra todo mundo que ia ser procurador de Sinop. Comecei a planejar minha nova vida e tudo mais. Pra melhorar, a peça tinha sido sobre concessão de medicamentos pelo Judiciário, coisa que eu havia estudado justamente no dia anterior. Escrevi até os detalhes das teses do STF e STJ. Mas o Universo também gosta de umas piadinhas (rs), e o resultado da prova subjetiva saiu. De 60 para o corte, fiquei com 57, ou alguma nota parecida. No espelho, 15 pontos pra reserva do possível e mais incontáveis pontos para Separação dos Poderes. Assuntos que eu nem imaginei que poderiam ser cobrados, de tão batidos. Mas experiência de prova é isso, e todos nós temos que lidar com o dia em que ela falta (rs). Recorri, e minha nota subiu de novo ora 73, mas a lição já estava dada. O concurso foi suspenso. 

Voltei aos estudos mais determinado ainda. Consciente daquela "apara de arestas" constante, percebi que dispensar a doutrina (ou teoria) não me traria bons frutos adiante. Então voltei a inclui-la nos estudos. Mas ainda tinha a sensação de "não saber ao certo" para onde ir, e foi aí que descobri o curso do Método ERG. Acredito que foi uma das coisas que me salvou. Se não tivesse me matriculado nele, teria me matriculado em algum outro extensivo, e talvez isso me custasse mais alguns anos. 

Com a estratégia então clara, me mantive firme em plena pandemia. Mais firme que nunca. Li uma frase do Ayrton Sena, que me iluminou a visão, mais ou menos assim (nas minhas palavras): "ultrapassar 15 carros num tempo bom é difícil, mas, na chuva, dá pra fazer". E eu com todos os outros concurseiros estávamos na chuva. Era agora que eu ia acelerar. 

Aproveitei os pequenos traços de indisciplina que ainda sobravam e os consertei. Comecei a estudar sério no sábado (as segundas já estavam resolvidas há um tempo) e me entreguei. 

Esse ponto merece atenção. Todo mundo tem maiores ou menores aversões a certas coisas no universo dos estudos. Desgosto por lei seca, por uma determinada matéria, por acordar cedo ou pela própria linguagem jurídica, rebuscada e prolixa. Mas é com isso que temos que lidar e ponto final. Não só lidar, como mergulhar nisso e tornar isso uma parte de nós mesmos. Depois que passarmos, aí sim, tratamos de promover mudanças, se quisermos. Mas, até lá, é ser deferente. 

Então me entreguei. Li cada frase do material do jeito que ela era, li cada lei sem pensar duas vezes, acordei cedo quando tive que acordar e até fiz amizade com a dor nas costas. Considerei cada coisa dessas como degraus para a aprovação, porque se eu as aceitasse, passaria na frente de quem as rejeitasse. 

A melhora foi evidente. De uma hora pra outra, me percebi conseguindo lembrar da redação dos artigos antes de terminar de lê-los, o que era entendimento do STJ e o que era do STF, o que tinha súmula e o que não tinha. E a evolução é uma espiral: quando mais conseguimos, mais temos força de vontade para conseguir. 

Nesse contexto, abriu o edital da PGE PB. Já no pique, fiz outra análise do que podia melhorar e implementei. Decidi que agora era a hora de estudar especificamente para um concurso e que iria fazer tudo que sempre soube que deveria fazer, desde acordar cedo até seguir os horários e conteúdos rigorosamente. Todos nós, lá no fundo, sabemos o que devemos fazer, mas muitos nunca arregaçam as mangas e de fato fazem. Pois façam. 

Comprei o Edital Esquematizado e me guiei por ele. Estudei aos domingos e não deixei passar mais nenhum sábado. Continuei sem redes sociais (porque essa foi uma das coisas que vou levar pra vida - reduzir o tempo de uso do celular) e só entrava no Blog do Edu pra me atualizar do que fosse importante. 

Quando fazemos nossa parte o tempo passa sem que a gente nem veja. E de repente já era setembro, e eu já estava em João Pessoa. Estava confiante de que o resultado seria bom. Ia acordar 5:50 no dia da prova. Estudei tranquilo na véspera, como sempre faço, e deitei cedo, umas 21hrs. Mas quem disse que dormi?

 Fiquei lá, de olho fechado, esperando o tempo passar. Não faço ideia do por quê. Em outras circunstâncias, isso seria uma tragédia. Mas, de novo por Providência Divina, me propus a repetir pra mim mesmo que "estava tudo bem". Incessantemente, até umas 2 da manhã, até conseguir dormir. Como vcs imaginam, acordei acabado rs. 

Ocorre que a noite não dormida acabou sendo um combustível. Cheguei pra fazer a prova com a maior determinação do mundo. Por estar mergulhado no conhecimento jurídico, e nada muito além disso, por alguns meses, lembrei de coisas que até me surpreenderam, guardadas lá naqueles confins da memória.

E nunca imaginei um resultado como esse, com que fui presenteado. Muito menos a repercussão. E digo pra todo mundo ouvir: vale toda a pena. 

Sabe o que todo aprovado diz, de que todo o esforço é recompensado? É verdade. É verdade demais. Os amigos dos quais vc se afastou vão se alegrar com vc e se reaproximar. Sua família vai entender todas as ausências. Sua namorada/namorado vai te olhar com os olhos brilhando ainda mais. A dor nas costas/azia/insônia/incerteza vai parecer uma memória infantil merecedora de divertimento. E o resultado é permanente. Você vai entender tudo pelo que passou e ter gratidão imensa por cada um que, de alguma forma, te orientou pelo caminho. Vai rir dos que duvidaram, afinal foram seus aliados também. Enfim. 

No mais, perceberá que só conseguiu porque teve também ajuda. No meu caso, foi minha mãe maravilhosa que sempre me apoiou e me mostrou o valor do trabalho e da dedicação. Eles valem a pena. E também meu pai, que me transmitiu valores e ideias, e me direcionou para onde vim. Identifique essas pessoas que te ajudam agora, porque será delas q vamos falar quando contarmos pros nossos filhos/filhas sobre a época da nossa aprovação. 

Está é minha história até a PGEPB. 

Espero ouvir sobre a sua também, em breve. 

João Rodrigo.

5 comentários:

  1. Esse depoimento em conjunto com a live que vocês fizeram é muito inspirador. Obrigada!

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  2. Gostei muito do depoimento! Não conhecia o blog, vou começar a acompanhar!

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  3. Emocionante! Você é merecedor! Parabéns!!!

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  4. Parabéns! Inspiradora sua trajetória. Sucesso no cargo!

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  5. Chorei demais lendo este depoimento. É realmente emocionante e foi merecedor de todo o resultado que alcançou. Anote aí, Edu, ainda lhe escreverei contando o meu depoimento hehehe

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