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CONCURSEIRO DEVE FAZER PÓS-GRADUAÇÃO? POSTAGEM ANTIGA, MAS QUE ABORDA TEMA QUE MUITAAAAA GENTE TEM DÚVIDA.

Olá queridos, boa tarde...

Já tratei do tema proposto AQUI, e, pela atualidade, reitero a postagem.

Vamos a ela:
Caros colegas, hoje, véspera de feriado, vamos a nossa postagem semanal. 
E aqui trago a dúvida de 4 em cada 5 concurseiros recém-formados. 
Terminou a faculdade e vai começar os estudos para concursos, e agora? Devo começar uma pós-graduação? Ela é indispensável a minha aprovação? 
Desde já destaco que o tema aqui tratado é bastante controvertido, e o que vou escrever é a minha singela opinião, nada mais. Muita gente, de fato, discordará. 
Tomo por base as carreiras da AGU, e digo que pós-graduação é de todo irrelevante para o ingresso na Instituição.
Bom, nos termos do edital de abertura do concurso de 2012 (http://www.cespe.unb.br/concursos/AGU_2012_ADV/arquivos/ED_10_2012_AGU_ABERTURA___REPUBLICAO.PDF), extrai-se que para fins de titulação o “Certificado de curso de pós-graduação em nível de especialização, com carga horária mínima de 360h/a, em Direito. Também será aceita a declaração de conclusão de pós-graduação em nível de especialização em Direito, desde que acompanhada de histórico escolar, com carga horária mínima de 360 h/a.” vale 0,5 pontos
 Ou seja, são 360 horas de estudo (no mínimo), sei lá quantos artigos publicados, um trabalho de conclusão, vários dias de estudos árduos dedicados a temas,  muitas vezes, filosóficos demais para concursos, em troca de 0,5 pontos. 
Por outro lado, 0,5 ponto equivale ao acerto de 1 das 200 questões a que você será submetido (na sistemática C e E), a um artigo publicado, a aprovação em um concurso exclusivo de bacharel em direito (ainda que em último lugar). Lembre-se ainda que a prova de títulos é meramente classificatória, e em concursos federais garanto que o candidato não deixará de ser nomeado por conto de meio ponto (no meu concurso, eu não perderia NENHUMA posição caso não tivesse enviado título algum).
O que quero dizer é que pós-graduação, na maioria das vezes, não é uma boa para a preparação para concursos, pois além de ser IRRELEVANTE para sua aprovação, lhe tomará muito tempo, tempo esse que poderia ser concentrado no estudo de outras matérias que também serão cobradas, e ainda em maior medida, em provas. 
Fica uma pergunta: do que adianta ser especialista em alguma matéria, se não souber o básico em outras? Não adianta nada, e possivelmente será reprovado ainda na fase objetiva. 
Estudar para concurso é muito diferente da pesquisa jurídica. Em pesquisa, onde se inclui pós-graduação, os temas são mais aprofundados, muitas vezes com destaque para o aspecto filosófico do direito, temas esses que não são cobrados em concursos públicos.
Certo ou errado, o perfil das nossas Bancas (CESPE, FCC, etc) é o legalista, o que exige um conhecimento objetivo, ainda que superficial de várias matérias e não apenas de uma (ainda que em nível de especialização). Do mesmo modo, na prova oral dessas carreiras os examinadores não querem saber se o candidato é especialista, mestre, doutor, se formou em boa faculdade, etc, querem ver seu conhecimento sobre o que lhe for perguntado, sendo o currículo, na maior parte dos certames, irrelevante.  
Portanto, concurso é estratégia, e para encurtar o caminho até a aprovação penso que fazer pós-graduação não é o ideal nessa fase.
E mais, para as carreiras da AGU, fazer a pós, depois de ingressar, lhe garante preciosos pontos na promoção, permitindo ascensão funcional mais rápida. 
Por fim, alguns me perguntam se fiz pós durante a preparação, e a resposta é negativa. Não fiz, justamente para ter mais tempo para estudar objetivamente para concursos.
Deixei para aprofundar as matérias que gosto, ler filosofia e as demais matérias não dogmáticas no pós-aprovação, suprindo assim uma deficiência, que para os concurseiros, em verdade, é uma virtude (a meu ver, é claro). 
Para confirmar o que digo, veja a lista de aprovação dos principais concursos do país, onde, na maioria das vezes, os primeiros classificados estão dentre os que menos possuem títulos, justamente por terem terminado a faculdade e se dedicado EXCLUSIVAMENTE para concursos. 
A meu ver a melhor ordem (para o concurseiro) é Concurso --> Especialização, e não o inversos. Mas isso é uma questão pessoal

Pessoal, a dica acima vale para praticamente todas as carreiras jurídicas. Nos concurso mais concorridos é muito difícil alguém ficar de fora ou não ser nomeado somente em virtude dos títulos. 
Por fim, na Faculdade onde estudei (UENP) há curso de mestrado/doutorado gratuitos, e pelo que percebi, os servidores público (juízes, promotores, advogados públicos, etc) que lá ingressaram primeiro foram aprovados no concurso e depois optaram pelo mestrado. Sinceramente, a margem de aprovados que primeiro fez mestrado e depois foi para os concursos é muito pequena na minha Instituição (deve ter algum, mas eu não conheço NINGUÉM). 
Trata-se, portanto, de escolher prioridades. Eu escolhi o cargo público... Algum dia talvez pense no mestrado/doutorado, mas hoje quero aproveitar os frutos que o cargo público me proporciona. 
Vou buscar alguém que faz/fez mestrado para descrever a rotina para vocês (alguém se habilita????? fica o convite a todos...)

Escolha sua prioridade...

Era essa a dica de hoje. 

Eduardo em 09/02/2016

16 comentários:

  1. Olá, Eduardo. Concordo com a postagem. Fiz mestrado na UENP. Caminho inverso de muitos. Tentei estudar para concurso junto com o mestrado, mas não deu. Foram 24 meses apenas se dedicando ao mestrado. Agora (maio 2015) que terminei, se dedico apenas aos estudos para concurso. Abraço.

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  2. Olá Barreto. poderia compartilhar com todos a experiência do mestrado, o que acha? Tratar das dificuldades, pontos negativos e positivos. Rotina, obrigações, etc... Abs.

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    1. mandei para seu email: eduardorgoncalves@outlook.com.br

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    2. olá Barreto, poderia me contar a sua experiência também? Desejo iniciar os estudos para concursos, mas estou na dúvida se inicio o mestrado junto. Evandrolgarcia@yahoo.com.br

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Olá, Eduardo.

    Concordo plenamente com o que foi dito alhures.

    De fato, o estudo para concurso é bem diferente do estudo para especialização.

    Vi em algum site ou blog - não me lembro qual, para dar os devidos créditos - que o estudo para concurso é igual piscina de criança, ou seja, grande e raso.

    Com efeito, o estudo para concurso de dá de forma horizontal.

    De seu turno, no estudo para pós-graduação você acaba estudando de forma aprofundada apenas um tema - de forma verticalizada -, fechando sobremaneira o seu conhecimento.

    Parabéns pela matéria, a qual certamente ajudará a muitos que se dedicam aos concursos.

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  5. Oi, Eduardo! Tudo bem?

    Meu nome é Adalberto e sou graduado e mestre em Direito pela UFPA e doutorando em direito na USP. Sou amigo da Nathália Mariel desde os tempos da graduação, somos do mesmo círculo de amigos.

    Eu acredito que a sua análise é bastante verdadeira. Não sei falar a respeito de especializações, porque não foram meu foco. Pelo que é do meu conhecimento, o ritmo de aulas e estudo é menor e até seria possível conciliar, mas qual seria o ganho obtido pelo candidato com o custo de horas e dinheiro de uma especialização? Consideremos que a maioria das especializações só são ofertadas por faculdades particulares.

    Eu posso tratar melhor da área estritamente acadêmica, da pós-graduação em sentido estrito, mestrado/doutorado. E vamos colocar de maneira bastante direta? Mestrado e doutorado tem por objetivo formar professores/pesquisadores. Ponto final. Você tem paixão em estudar, ler, escrever e lecionar? Não queria sair nunca da faculdade? O caminho é o mestrado/doutorado. Se você quer exercer outra profissão jurídica que não ser professor, em se tratando de concurso público, não invista neste tipo de formação.

    Perceba que estou falando de concurso público. Muitos advogados privados cursam especialização, mestrado e doutorado como forma de verticalizar seu conhecimento na área de atuação.

    Quanto à rotina do meu primeiro ano de mestrado, eu tive que cursar 8 disciplinas, 4 no primeiro semestre e 4 segundo. Cada disciplina dessa exigia 4 horas de aula semanais e uma carga de leitura de aproximadamente 60-80 páginas/semana. Isso quer dizer que eu lia por semana 240-300 páginas/semana de textos essencialmente filosóficos, de leitura difícil e sendo necessário apresentar seminários, hand outs etc. Para se ter uma ideia do tipo de leitura, basta procurar na internet e ler o começo do livro Verdade e Método de Gadamer. Claro que havia algumas exceções de professores exigirem a leitura prévia semanal de livros inteiros a serem discutidos na próxima semana, mas isso eram exceções.

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  6. No segundo ano, não cursamos disciplinas e tudo parece ser mais calmo, mas não é. Temos que qualificar o projeto de dissertação, isto é, o projeto tem que ser aprovado por uma comissão de três professores em meados de março-abril do ano. E em dezembro-março (do ano seguinte) já temos que entregar a dissertação de 150-200 páginas mais ou menos. Então a pesquisa exigiu de mim dedicação exclusiva financiada por bolsa governamental e o meu regime de estudo/pesquisa era de trabalho normal (8 horas diárias de leitura e escrita).

    O doutorado é mais tranquilo, porque temos 3-4 anos para fazer a tese e porque já temos a experiência do mestrado.

    A questão que queria esclarecer, Eduardo, é que não dá pra servir dois reis ao mesmo tempo e isso não é só em relação a concurso público, estou falando da profissão mesmo. Cada vez mais as universidades públicas exigem dedicação exclusiva dos seus professores. Professor universitário no Brasil tem que preparar as aulas, estudar continuamente para testar suas hipóteses, produzir conhecimento, formar grupos de pesquisa, extensão e leitura entre os graduandos. Enfim, tem que vivenciar a profissão, senão você vai ser mal visto pelos seus colegas, pelos alunos e por servidores (lembro que a partir do momento em que você se torna professor, você vira uma figura pública. Só ano passado tive mais de 300 alunos diferentes).

    Da mesma forma, quem se torna Procurador da República, Advogado da União ou qualquer outra profissão jurídica acaba tendo que vivenciar a profissão ao máximo. Isto é exigido pela instituição. Acaba que muitos daqueles que falam que vão passar no concurso público para depois fazer mestrado/doutorado, não o fazem. Outros ainda conseguem fazer o mestrado a duras penas e são tão assustados pela dificuldade de conciliar o trabalho jurídico e a pesquisa acadêmica que não voltam pro doutorado. Alguns poucos conseguem chegar ao doutorado, mas não se tornam professores. Uma taxa ínfima consegue ter uma profissão jurídica, ser doutor e professor. Mas neste caso, infelizmente, muitas vezes alguma das profissões acaba ficando prejudicada. Se ambas as profissões não são prejudicadas, então é porque sua família está prejudicada.

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  7. É preciso tomar decisões. É melhor que esta decisão seja tomada o quanto antes. O bom é que temos a possibilidade de tomar decisões quanto às nossas vidas. Por outro lado, 70% da população brasileira não tem a possibilidade de escolher o destino da sua própria vida por falta de condições materiais adequadas. Tomar essa decisão é um privilégio. Somos privilegiados, usufruímos de uma desigualdade imerecida. Daí que decidir pelo serviço público é uma forma de retornar mesmo que parcialmente e de forma mínima tudo aquilo que recebemos sem merecer.

    Espero ter ajudado, meu amigo. Continue com o blog porque a sua ajuda é preciosa para milhares de brasileiros por aí afora em busca de uma vida melhor.

    Beijo, Mariel!

    Adalberto

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  8. Hahahaha primeiramente, sobre o post do Eduardo: quando falo isso para meus amigos recebo enxurrada de críticas... taí a visão de um vencedor que também compartilha dessa opinião.

    Sobre o Adalberto Fernandes: muito obrigado pela experiência! excelente relato de uma VIVÊNCIA!

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  9. Pois é...tentei conciliar mestrado, carreira (Sou auditor-fiscal) e estudo pra concursos (TRF1), mas "não deu pra mim"...rs. Consegui terminar os créditos do mestrado, o que , para mim, já é um excelente resultado. Por outro lado, o TRF1 está rendendo frutos, então não posso reclamar...Abs.

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  10. Gente, esse post foi para mim. Sanei a dúvida com relação a concurso, mas, a pós-graduação aumenta em 500 reais o meu salário de servidora estadual q já sou, por isso persiste a dúvida, se vale a pena (tentar) conciliar uma pós só para ter esse plus no salário.

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  11. Boa noite, hoje mesmo estava conversando com uma amiga sobre essa questão. Tenho uma amiga analista do TJ que já tinha me aconselhado a não fazer pós agora, pois estou estudando para concurso. Mas ainda tinha uma certa dúvida sobre o assunto, pois vejo tantas pessoas fazendo pós para usar como título nos concursos públicos. Ler esse artigo me deixou mais tranquila em relação o caminho que estou seguindo.

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  12. Boa noite,
    Hoje mesmo conversei com uma amiga sobre essa questão. Já tinha sido aconselhada por uma amiga, que é analista do TJMA, a não fazer pós nesse momento que estou estudando para concurso. Porém, ainda tinha dúvidas se deveria fazer ou não uma pós agora, pois não tenho nenhum título. O artigo me deixou mais tranquila!

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  13. Boa noite, hoje mesmo estava conversando com uma amiga sobre essa questão. Tenho uma amiga analista do TJ que já tinha me aconselhado a não fazer pós agora, pois estou estudando para concurso. Mas ainda tinha uma certa dúvida sobre o assunto, pois vejo tantas pessoas fazendo pós para usar como título nos concursos públicos. Ler esse artigo me deixou mais tranquila em relação o caminho que estou seguindo.

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  14. Ainda vendo essa questão, entendo que depende muito. Fazer um curso de pós (lato ou estrito sensu) pode abrir portas para uma oportunidade de emprego, por exemplo.
    Concurso que "Concurso --> Especialização" é uma boa para quem possui essa condição, o que não foi o meu caso.
    De todo modo, vale a discussão.

    Abçs.

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