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Depoimento de aprovado: Hugo Frazão - Juiz Federal

 Olá gente, hoje postaremos o depoimento do querido Hugo Frazão, Juiz Federal do TRF da 1ª Região, com uma trajetória de concursos excepcional e que espero, motive bastante os leitores do Blog!
qualquer duvida vocês podem enviar email para hugoabasfrazão@gmail.com ou achar ele no insta @hugoabasfrazao


Hugo Leonardo Abas Frazão, Juiz Federal Titular da Vara Única de Tucuruí-PA, aprovado no XV Concurso Público para Juiz Federal Substituto do TRF da 1ª Região. Mestrando em Direito Constitucional  pela PUC-SP.

Por que o estudo prazeroso faz a diferença?

Quando me perguntam se me sinto satisfeito com a carreira da magistratura federal, respondo sem rodeios: estou realizado!
É que essa carreira, como poucas, dá aos seus membros condições e estrutura para que possam agir como transformadores de realidades, pacificar conflitos, debater e julgar grandes temas da República, atividades que rendem imensa satisfação profissional. Hoje não imagino que exista outro cargo público ou privado capaz de me dar a felicidade que tenho como juiz federal.
O curioso é que não sonhava em ser juiz. Até o 5º período da faculdade de direito, sequer aspirava a alguma carreira jurídica. Queria mesmo era viver da música e fazer shows pelo país (risos). Não digo que desisti desse sonho (continuo com o objetivo de gravar um disco autoral, risos 2), mas reconheço que ele ficou adormecido a partir de quando cursei uma disciplina chamada hermenêutica jurídica e descobri o quanto um jurista preparado é capaz de contribuir com a sociedade. Ali me transformei num admirador do direito e iniciei, gradativamente, um gratificante projeto de superação do tempo perdido, que só ganhou consistência após o término da faculdade. Hoje uso essa história para subir a autoestima de estudantes e bacharéis de direito que ainda não se despertaram para o direito ou acham que perderam tempo demais sem levar os estudos a sério. Digo que, se se identificaram com o que contei, sonhem com o quanto podem ganhar ao agirem com dedicação a partir do agora.
 
Eu concluí a faculdade de direito com 23 anos e passei a ter em mente a certeza de que queria tomar posse em um cargo público, embora não soubesse qual seria. Então tomei uma decisão importante e que indico como a primeira dica para a aprovação: ainda que, no começo da jornada dos concursos, você não saiba bem para qual cargo quer estudar, escolha um para ser seu norte, levando em contas as afinidades adquiridas durante as experiências de estágio ou de trabalho que vivenciou. Isso lhe permitirá sair da zona da incerteza e iniciar uma programação de estudo com foco e, se ocorrer de você se interessar por outro cargo no decorrer do estudo, você poderá aproveitar todo o conhecimento já acumulado, adaptando a rota sem constrangimentos.
 No meu caso, ao sair da faculdade, em 2009, inicialmente optei por estudar para os concursos de analista judiciário do TRT, mas como nas minhas primeiras tentativas não consegui a aprovação ou fiquei longe das vagas ofertadas, resolvi mudar a meta e voltar minha preparação para o cargo de procurador federal da AGU, cuja prova estava prevista para ocorrer no ano seguinte, em 2010.
Mas por que eu substituí o objetivo anterior antes da tão sonhada posse? Porque o estudo para analista passou a não mais me despertar ânimo e queria novos estímulos para manter meu potencial de estudo. Nesse instante, eu percebi que o cargo almejado precisaria ter atribuições que me despertassem interesse e me provocassem aspirações, sob pena de eu não conseguir estudar com o máximo de dedicação e sacrifício. Já o cargo de procurador federal tomava conta da minha admiração, especialmente por seus membros prestarem uma atividade jurídica fim, elaborando e assinando suas próprias petições e pareceres. Isso fazia toda a diferença para estudar com esforço. Portanto, minha segunda dica é: decida estudar para um cargo público cuja função lhe desperte encanto, pois, nos momentos difíceis da preparação, o que vai reerguer o seu empenho é o quanto o objetivo que você escolheu vale a pena para a sua vida!
Embora não tenha passado no concurso de procurador federal da Advocacia-Geral da União – AGU de 2010, o estudo para esse concurso foi o ponto de partida às aprovações em carreiras da advocacia pública que tive: procurador do município de Parauapebas (1º lugar, que exerci por dois anos e meio), advogado do Banco do Nordeste, procurador do Estado de Rondônia, procurador autárquico do Estado do Pará (que exerci por um ano e oito meses) e, para minha surpresa, procurador federal (2013), no concurso seguinte ao que reprovei (que exerci por sete meses, antes de ocupar o cargo de juiz federal).
Ocorre que antes mesmo de tornar-me procurador federal, no ano de 2013, eu já havia voltado minhas atenções para a função de juiz federal, passando a sonhar com uma eventual posse no cargo. Li muitas matérias no site da Associação dos Juízes Federais – AJUFE sobre a atividade profissional, assisti a reportagens de posse de juízes federais e tudo isso me encantava. Nem o fato de eu estar prestes a ocupar um cargo na AGU tirou a minha vontade de querer reformular meu projeto e aproveitar tudo o que já tinha estudado em nome de um novo desafio.
Sabia o quanto passar no concurso de juiz federal era tido como “impossível” por muitos concurseiros e que poderia levar longos anos tentando, mas sentia que o sacrifício valeria a pena. Aqui a lição que fica é: se você deseja ser juiz federal, ao invés de dar ouvidos aos que tratam esse sonho como improvável, envolva-se com a carreira e investigue com quais temas trabalha um magistrado federal. Assim, você conseguirá encurtar o caminho entre a sua realidade e o sonho e fará do estudo diário uma atividade tão prazerosa quanto o próprio resultado da aprovação. E isso aliviará a pressão que gira em torno do concurso.  
Depois de adquirir estímulos suficientes para correr atrás da aprovação na magistratura federal, montei um método de estudo que me garantiu volume e evolução de conhecimento, visando a superar os pontos mais importantes do edital no primeiro concurso para juiz federal substituto que prestei: o do TRF da 1ª Região, em 2013. Distribuí as matérias do edital em um ciclo de quinze dias (ou duas semanas) e, de preferência, estudava apenas uma matéria por dia (embora em alguns dias eu tivesse que estudar duas, pois o edital contempla mais que quinze disciplinas) por meio de uma bibliografia que fosse de minha confiança. Condicionei-me a estudar diariamente, inclusive aos sábados, domingos e feriados, seguindo uma média de cinco horas diárias. E, mesmo que num determinado dia da semana algum assunto pessoal ou profissional importante tomasse conta do tempo, impedindo que estudasse o que havia previsto, preferia estudar ainda que por trinta minutos no dia somente para ter o prazer de aprender uma coisa nova antes de dormir. É que, no estudo: adquirir o hábito de buscar o conhecimento é mais importante que a quantidade de horas que você tem disponível. Essa é a razão pela qual muitos concurseiros com pouquíssimo tempo de estudo conseguem êxito em concursos públicos tão disputados.
Exigia-me uma meta de leitura de cerca de 40 páginas por dia (incluindo livros, legislação e informativos de jurisprudência) e, concluída a tarefa, fazia em seguida uma média de 20 questões de concursos sobre a temática estudada, avaliava meu rendimento pessoal de erros e acertos do dia e, enfim, reestudava partes do conteúdo que me levaram a errar questões. Com isso, eu assimilava o conhecimento com maior precisão e compreendia quais eram os assuntos e discussões mais abordados em provas de TRF sobre cada conteúdo. Foi internalizando progressivamente o método que descobri a seguinte estratégia: mais importante do que aprender todo o conteúdo do imenso edital é dominar os assuntos e temas principais para a carreira e concurso da magistratura federal, tomando como referência boletins de jurisprudência dos TRFs, provas dos concursos anteriores e notícias em sites jurídicos sobre a atuação dos juízes federais.
Passei na primeira fase do concurso do TRF1/2013 e iniciei um treinamento específico para a fase seguinte. Sobre o que lia e me chamava atenção, criava argumentos jurídicos compactos e os anotava em um caderno. Denominei-os de “súmulas de argumento”. Elas serviam para distinguir bem as teses e raciocínios principais tratados no conteúdo e, de quebra, foram úteis para que eu me relembrasse do conhecimento estudado na hora de responder as provas de dissertação e sentença, como gatilhos mentais. Além disso, fazia cerca de cinco sentenças por semana até a data das provas, o que me possibilitou aprender a estruturar bem uma sentença e a tomar cuidado na hora de abordar todos os pontos controvertidos narrados no enunciado da questão, por meio de tópicos e subtópicos.
Ao final de tudo, e para quem não fazia ideia de quando seria aprovado, mas ainda assim assumiu o “risco do tentar”, tive a felicidade de ser aprovado no primeiro concurso da magistratura federal que prestei e logo no TRF da 1ª Região, cuja jurisdição engloba o Estado do Maranhão, onde nasci e fui criado. Reconheço esse acontecimento como um grande milagre de Deus porque, ainda que tivesse montado todas as estratégias do mundo, senti que aquela prova tinha sido feita pra mim, na medida certa. E aqui fica a última dica do meu depoimento: tenha fé. Permita-se experimentar as possibilidades do “impossível” e, mesmo que por várias vezes acredite que o projeto pode não dar certo, respeite o seu sonho e, ao invés de reduzir o esforço, intensifique a meta, pois, acredite, a cada dia produtivo de estudo você certamente terá maior capacidade de aprovação.

18 comentários:

  1. Excelente depoimento! Obrigado por compartilhar conosco a sua história!

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  2. Bela história, Hugo, obrigado por compartilhá-la!

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  3. Incrível o depoimento :) Parabéns por esta incrível conquista. Muitas felicidades! Tmj na luta!

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  4. Parabéns, Dr. Hugo. Amanhã voltarei a estudar ainda mais motivada com seu relato de aprovação. Saúde e sucesso na carreira. Abraços a todos do Blog. Sempre recebo os posts com muita alegria, pois vocês me motivam a continuar lutando pelos meus sonhos. Gratidão.

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  5. Ótimo relato! Pena que faltou a indicação da bibliografia utilizada.

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  6. Parabéns, que Deus continue te abençoando!

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  7. Hugo Frazão. Obrigada pelo seu depoimento. Tenho uma dúvida: na carreira de juiz federal da 1ª Região, qual é a média de anos atual para que um juiz consiga titularizar em uma vara em Brasília? Outra coisa: é verdade que, devido ao grande número de juízes, quem entra na carreira hoje dificilmente consegue chegar a Desembargador? Obrigada, as perguntas são muito importantes para que eu decida qual carreira devo seguir, sobretudo quanto ao tempo de retorno à Brasília. Maria

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  8. Muito Motivador seu relato. Tenho uma história parecida com a sua, inclusive em relação aos cargos e à música. Parabéns pela conquista e espero também experimentar as possibilidades de conquistar o “impossível". Grande Abraço!

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  9. Lindo depoimento, parabéns!
    João Gomes G. Areias
    acadêmico de direito

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  10. Poxa... Caiu como uma luva! MUITO obrigada!

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  11. Poxa... Caiu como uma luva! MUITO obrigada!

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  12. Queria muito poder lutar pelo meu sonho de me tornar um juiz de direito do TJRJ. Curso engenharia hoje, mesmo gostando das disciplinas do curso, sei que não é isso que quero para minha vida. Acredito que na engenharia o caminho será mais fácil e por ter tantas responsabilidades com minha mãe, tenho muuuuito medo de não conseguir

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    1. Que situação, mas apenas digo que grandes homens têm a força para realizar grandes decisões.

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  13. Parabéns pela trajetória e por compartilhar conosco. É de tamanha inspiração e vontade de passar por cada "dificuldade". Obrigado!.

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