Dicas diárias de aprovados.

DEPOIMENTO DE APROVADO - ADRIANO FILHO - PGE/PA

Olá meus amigos do blog, bom dia. 

Hoje trago um depoimento muito especial, o do Adriano Filho, futuro procurador do Estado do Pará. 

Conheci o Adriano em Belém e almoçamos juntos. É uma pessoa incrível e que merece estar onde chegou tão rápido. Desejamos toda felicidade na PGE/PA e novamente o parabenizo pelo feito. 

Vamos ao depoimento: 

Olá, futuros colegas! 

 

Me chamo Adriano Filho, tenho 21 anos e, recentemente, fui aprovado para o cargo de Procurador do Estado do Pará durante a faculdade. 

 

A princípio, gostaria de agradecer ao Eduardo Gonçalves, aquele de meados de 2010, o qual, ainda estudante, não desistiu perante as adversidades da vida de concurseiro e hoje, com uma história de muita determinação e disciplina, ajuda a inspirar e guiar centenas de aprovados e outros milhares de concurseiros pelo país, com muito orgulho digo que sou um deles. Além disso, agradecê-lo pela oportunidade de poder dar meu depoimento para o blog, o qual acompanho desde o início da faculdade e sempre sonhei em estar aqui.

 

Vamos lá. Minha história no universo dos concursos começa com aquilo que considero um dos pontos essenciais para todos aqueles que desejam ser aprovados: a reprovação. 

 

Antes disso, irei fazer uma breve contextualização do início da faculdade. Eu não tinha a pretensão de fazer o curso de Direito pois não era algo que brilhava meus olhos… até eu conhecer os afazeres do Ministério Público e seu poder de influência em diversas causas sociais. 


A partir daí, decidi fazer a faculdade de Direito para um dia pertencer ao quadro do MP.

 

Entretanto, no ano de realizar a prova para ingresso na UFPA, por problemas familiares, não consegui realizar o Enem daquele ano. Desse modo, meus pais me proporcionaram o privilégio de ter a possibilidade de entrar em uma faculdade privada da minha cidade. 

 

No primeiro ano de faculdade, ainda tinha em mim o desejo de ir para UFPA e fazer a faculdade de direito lá, afinal, independente do curso que escolhesse, um sonho era certo: o de ser aluno da UFPA. Para isso, decidi conciliar o primeiro ano de faculdade com os estudos para o Enem (fiz isso por cerca de 3 meses até a prova). 

 

Foi um período muito cansativo e de muito estudo em prol desse objetivo, chegava muito tarde em casa e acordava muito cedo. Estudava em todos os lugares, seja na sala da universidade, com todos querendo saber o motivo de eu estar fazendo questão de matemática em uma aula de “Introdução ao Estudo de Direito”, seja no ônibus -lotadíssimo- de volta pra casa às 23:00 horas. 

 

Ao final desse período realizei o Enem e fui aguardar o resultado e descansar um pouco, afinal estava exausto. Por volta do início do ano de 2020, tive os piores baques da minha vida. Reprovei por décimos na UFPA (marquei duas questões no gabarito que me aprovariam com facilidade) e tive a perda da minha Avó, a qual era muito presente em minha vida e uma das minhas pessoas favoritas no mundo. (Escrevendo esse texto choro ao lembrar dela e imagino o orgulho que ela sentiria ao saber da minha aprovação). 

 

Logo em sequência veio a pandemia e os primeiros lockdowns, e foi aí que decidi focar nos concursos e não perder tempo. Nesse início, como todos, tinha muita dúvida do que fazer (o que estudar? como estudar? quantas horas? por onde começar?) e foi aí que descobri a história do Eduardo e, por consequência, o Blog (nesse início passava mais tempo lendo o depoimento de outros aprovados e lendo o blog do que lendo lei seca) e, a partir daí, vi que era possível passar em um concurso para o MP ainda com pouca idade e ser aprovado ainda na faculdade. Dessa forma, mesmo sabendo que seria muito difícil e exigiria muita dedicação e sacrifício, coloquei como meta sair da faculdade aprovado em algum concurso grande (ainda não sabia qual).

 

Nesse período, por ter tido a reprovação no Enem, já me sentia um pouco mais confiante pois pensava: estudei cerca de 3 meses e por detalhe não passei, se eu focar por mais tempo posso ter cada vez resultados melhores e melhores. Além de ter melhorado muito na minha escrita -o que sempre foi meu ponto fraco- por conta das quase 50 redações que fiz em 3 meses, o que me ajudou muito nas fases escritas da PGE-PA e durante a faculdade (sempre me saia bem nas provas escritas e recebia o elogio dos professores). Durante esse período, aprendi a olhar a reprovação por um outro lado e assim, ligar os pontos no futuro. Hoje consigo ter a certeza disso. 

 

Nesse início comprei o meu primeiro Edital Esquematizado -específico para o MPF- antes de comprar qualquer doutrina ou material de concurso. Considero isso um dos acertos da minha preparação e com isso vieram outros acertos. Fiquei cerca de um ano estudando com foco no MPF, entretanto, sentia que não tinha evolução nos estudos, tudo ainda era muito diferente para mim. 

 

Com isso, vendo a história de outros aprovados, vi que muitos utilizavam como “escada” duas carreiras específicas: para Delegado e para Procuradorias (claro que isso era mais frequente em uma época passada e ocorria por não precisar de prática jurídica). Desse modo, fiz uma escolha pragmática e simples, não tinha afinidade nenhuma com as carreiras “militares”, logo, sem saber ao certo atribuições, salário ou qualquer outro parâmetro, escolhi focar para procuradorias. 

 

Comecei os estudos para procuradorias no início de 2022  e, novamente, adquiri o Edital Esquematizado para Procuradorias. Dessa maneira, coloquei como meta criar minha base nas principais matérias do concurso (famoso Núcleo Duro) e ir desenvolvendo meu material para as futuras revisões. 

 

Nesse período do estudo, minha rotina era iniciar o dia com lei seca (cerca de 1h a 1h30min) e em seguida partia para o estudo de base. Na base, eu escolhia umas duas a três matérias e ia do início ao fim delas. Cabe ressaltar que não gostava de elencar uma hora fixa para estudar e nem um dia certo, ia de acordo com a minha vontade do dia, mas sem cair no erro de apenas estudar as matérias de predileção.

 

Com uns 3 a 4 meses de estudos, comecei a simular as provas de procuradorias, fazia as provas como se estivesse no dia e como se fosse “valendo”, sem interrupções. As duas primeiras foram PGE AL e PGE PB, as quais fiquei MUITO longe do corte (uns 30+ pts do corte) mas tive um start e fiz algo simples, mas procrastinado por muitos concurseiros: mapear meus erros de maneira detalhada. A partir daí, percebi que meus erros se encontravam em duas principais esferas, sendo elas jurisprudência e lei seca. 

 

Com isso, tentei sanar os erros de juris com a assinatura do DoD e a leitura dos informativos e aumentei a ênfase na lei seca para assim ultrapassar a barreira da primeira fase (Lia direto do Vade, riscava ele todo e levava para todo canto, tanto é que nem capa ele tem mais), sendo que realizava simulados a cada 15 dias (realizava provas antigas e mapeava TODAS, de forma religiosa; tenho uma pasta com todas até hoje).

 

Essa estratégia vinha dando certo, tendo em vista que estava me aproximando do corte a cada prova, mesmo que distante, sentia que estava evoluindo e era questão de tempo (ficava entre 8 a 15 pts do corte). 

 

Logo na sequência, saiu o edital da PGEPA-2022. Seria minha primeira prova de Procuradorias e infelizmente (hoje em dia é “felizmente”) no meu estado. Logo que saiu o edital, veio com isso o conhecimento de que era uma prova que beirava o impossível pelas especificidades e pela banca própria. Com essas informações, decidi me inscrever, mas sem focar nela. 

 

Achei mais estratégico focar para as provas da AGU, tendo em vista número de vagas e iminência do edital, tanto que, dois meses antes do edital, passei o mês estudando penal, processo penal e internacional (matérias que não caiam na PGEPA, mas eram específicas da AGU).  

 

Tudo mudou quando comprei um simulado de um curso focado em procuradorias e que tinha ranking. Fiz o simulado e fiquei na posição nº 30 dos 500 candidatos. Na época, foi um excelente resultado e vi que poderia ter chances na PGEPA. Desse modo, iniciei o período que até então tinha sido minha maior carga horária de estudos por cerca de 50 dias até a prova. Parecia que tudo fluia e nascia um novo sonho que antes achava que não ocorreria: o de ser Procurador no meu estado.

 

Chegou a data da prova, fui de peito aberto e com muita garra e….. logicamente, tomei um baque dos fortes. Lembro de estar corrigindo e sentir que nunca seria aprovado e, no mesmo momento, dava adeus ao sonho de ser Procurador do Estado do Pará, tendo em vista que ia demorar muito até a última prova (o último concurso antes disso era de 2015). 

 

Nessa noite, fui dormir chorando e com a sensação de que toda a minha dedicação e todos os meus sacrifícios estavam sendo em vão (mal sabia que ainda tinha muita estrada pela frente e, por conseguinte, muitas outras reprovações). Cabe ressaltar que estava no 7º semestre da faculdade, mas já estava muito focado nos estudos. 

 

Passado um tempo, fui mapear meus erros na prova e vi que eles estavam concentrados em matérias consideradas não tão importantes para procuradorias (por ex. zerei Trabalho e Proc. do Trab. pois nunca tinha estudado). Ademais, foi o meu melhor desempenho até então, fiquei 11 pts do corte e com erros concentrados em poucas matérias. Passei a ver essa reprovação com outros olhos e utilizei ela como um gás para continuar estudando. 

 

Segui meu estudos com foco nas carreiras da AGU e aguardando os editais, porém minha ênfase continuava na lei seca e na jurisprudência, porém sempre revisando meu material de doutrina (utilizava, em regra, uma doutrina para cada matéria e grifava para reler os grifos em um revisão futura). 

 

Após esse período, continuei em um ritmo forte de estudos porém para procuradorias, pois descobri que no último edital da AGU foi pedido prática jurídica de dois anos, então abandonei tal carreira até sair o edital que não foi exigida a prática jurídica. Dessa forma, iniciei meu último ano de faculdade com a esperança de passar em algumas das carreiras da AGU e assim concluir com o meu objetivo de anos. 

 

Entretanto, não tive o resultado esperado nas provas, os quais mesmo que sendo meus melhores desempenhos de provas ainda não eram o suficiente para ultrapassar a barreira da primeira fase. Desse modo, na AGU e PFN fiquei uns 5 pts do corte e na PF fiquei uns 3 pts. Após isso, fiz mais a PGM SP, a qual fiquei uns 5 pts também. 

 

Nessa época fiz Magistratura do Trabalho (apenas para simular uma prova a mais) e fiquei 3 pts do corte e fiz Juiz Federal do TRF 1, o qual fiquei uns 3 pts do corte (ia melhor nas provas de Magis do que nas de Procuradorias). Isso tudo foi no primeiro semestre de 2023, estava exausto e pensando em dar uma pausa nas provas para retomar o estudo de base pois não estava sendo suficiente para passar em uma primeira fase, então estava pensando em “reiniciar” em algumas matérias. 

 

Entretanto, o edital da PGE PA estava em iminência e eu não podia perder tal oportunidade, precisava dar o gás para essa segunda chance divina. Acreditava que aquela oportunidade era minha e não podia perdê-la. Um concurso seguido do outro não podia ser outra coisa. (Contextualizando: na PGE PA 22 teve apenas 9 aprovados, sendo que o número mínimo de vagas eram 10. Isso demonstra as reprovações em massa que acontecem na PGEPA).

 

O edital da PGEPA saiu em julho com provas para o segundo semestre, sendo que eu ainda precisava finalizar a faculdade e entregar o meu TCC, afinal precisava do diploma, e precisava tirar minha OAB, afinal precisava ser advogado para tomar posse. (Passei na primeira fase no primeiro semestre com quase 90% de acerto, apenas com o estudo prévio para concursos, mas a segunda fase caiu no dia da prova da AGU, então não fiz a prova). 

 

Não bastando isso, meu pai precisou ser internado com urgência em uma viagem de férias que ele fez e precisou ser operado às pressas (ele precisou fazer mais duas cirurgias durante a finalização do concurso). Não bastando isso, meu gatinho (animal de estimação) foi diagnosticado com uma doença rara, a qual não existia remédio e também precisou passar por uma cirurgia. 

 

Com tudo isso acontecendo, não conseguia me dedicar 100% e me sentia culpado por não estar estudando como deveria. Nessa época os medos começaram a surgir pois não queria reprovar novamente no meu estado, não queria ter as expectativas quebradas novamente pois sabia que isso atrapalharia meu estudo futuro e eu poderia perder outras provas por conta disso (como PGESP). Comecei a pensar em não fazer a PGEPA, pois aí eu não precisaria passar pela dor da reprovação. Essa foi a primeira vez que pensei em desistir de uma prova e da prova que eu mais queria. 

 

Nesse momento, eu fiz algo diferente de todas as outras preparações e não foi nenhuma estratégia de estudo, não foi nenhuma metodologia nova (quem não pensa em alterar o método de estudo ao reprovar?), foi “apenas” colocar os meus planos nas mãos de Deus. 

 

Lembro de estar com o coração muito aflito e me ajoelhei em oração, era a única coisa, diante todas as dificuldades, que eu poderia fazer mesmo não me considerando alguém religioso. Depois desse momento, coloquei em minha mente que independente do resultado, eu iria acatá-lo pois saberia que era vontade de Deus, mesmo que ela divergisse dos meus planos. Foi a primeira vez desde que saiu o edital que tive paz nos estudos. 

 

Os problemas ainda estavam lá, a prova ainda era muito difícil, mas eu estava diferente. 

Veio a primeira fase, saí da prova exausto e com o sentimento de que tinha dado tudo de mim e que desejaria muito defender o meu estado por meio da PGE. Na segunda depois da prova fui corrigi-la e tive a surpresa de estar com uma excelente nota, coloquei a nota no Olho na Vaga e estava dentro do Top10. 

 

Não conseguia acreditar. Finalmente, depois de anos, ia para uma segunda fase e lembrava da frase do Professor Renério do RevisãoPGE de que depois que se passa em uma primeira, só não vira procurador se não quiser. Aquilo era a certeza de que eu estava no caminho.

 

Dias depois com o resultado definitivo, descobri que estava em 4º lugar. Mas isso não importava de nada, afinal, na PGEPA, o concurso é para sobreviver, pouco importando a colocação e, logo mais, tinha uma fase que reprovava muita gente qualificada e para mim, em especial, era uma fase inédita. Tinha 30 dias até a Discursiva e muita matéria a aprender e revisar (nos sábados, eu fazia um revisão das Superquartas do Blog). 

 

Veio a Discursiva e sai com a sensação de que só por vários milagres eu tiraria a nota mínima para seguir de fase. Entre a discursiva e o resultado dela, tinha uns 30 dias. Nesse tempo aproveitei para fazer meu TCC, finalizar as últimas provas da faculdade e descansar (fiquei todo esse tempo sem estudar). Ao final desses 30 dias tinha uma viagem marcada e assim fui. Estando no Aeroporto de São Paulo recebo a notícia de que fui aprovado para a última fase. Era um misto de sentimentos. Uma mistura de felicidade com medo pela próxima fase (só faltava uma e eu não podia deixar essa chance escapar). 

 

Passei 12 dias viajando e sem estudar. Não tinha levado um livro, mas tudo bem, quando chegasse estudaria igual a um louco, pularia natal e ano novo e, assim, eu fiz. 

 

Véspera da última fase, eu sentia uma pressão absurda misturada com um nervosismo, mas mentalizava a frase que está gravada na Quadra Central do US Open “pressure is a privilege” . Afinal, só estava sentindo aquilo aqueles que lutaram muito pra chegar até ali e, logo, vinha uma felicidade em estar ali. 

 

Veio os dois dias de prova e se foram as minhas últimas energias. Era uma peça e um parecer. Saí com a sensação de que se passasse (seria um milagre) seria longe das vagas. Exausto. Tentava me motivar de que se eu tinha chegado até ali, era apenas detalhes até passar em outros locais.

 

O resultado se aproximava e eu tinha em mente de que tinha pouquíssimas chances, mas aquelas chances estavam nas mãos de Deus. Um dia antes do resultado, não conseguia me concentrar em nada (já tinha voltado a estudar para a PGESP) e resolvi ir dormir, nem tinha almoçado e fui deitar, mas antes, resolvi fazer uma última oração, a mais curta e mais sincera que já tinha feito “Pai, se for da tua vontade, eu estou pronto”. Quando acordei, tinha algumas ligações e um áudio da minha professora da faculdade (a qual também passou no concurso), chorando e dizendo que eu tinha passado. Não acreditava. Entre os apenas 7 aprovados, eu era um deles. Mais especificamente o sétimo. 

 

E naquele momento, todos os sacrifícios, todo o empenho, todas as vezes em que acordei e o sol ainda nem tinha saído, valeram a pena. Todo o esforço, não somente meu, mas da minha família, dos meus pais, da minha irmã, das minhas avós, valeram a pena. Deus nos honrou e serei eternamente grato por isso. 

                                                           

E para finalizar, gostaria de agradecer e dedicar minhas conquistas à minha família e à minha namorada, os quais me acompanharam e me deram suporte por todos esses anos de estudo, confiando em mim mesmo após as dezenas de reprovações, torcendo por mim em cada uma das fases e entendendo todas as minhas frustrações. Estaria mentindo se dissesse que consegui sozinho. 

 

Agradeço novamente ao Eduardo pela oportunidade e pela história. Como disse: Tens uma porcentagem na minha aprovação. Obrigado. De coração.

 

Adriano Filho.

Junho de 2024.  

2 comentários:

  1. Fiquei emocionada com o depoimento do Adriano! Que ele siga perseverante na carreira assim como foi nos estudos!

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