Oi meus amigos, tudo bem?
Hoje vou trazer um depoimento excepcional para vocês, relato com dicas e bibliografia do PEDRO PAULO RABELO MIRA JUNIOR, leitor do blog e aprovado no 31º Concurso para o cargo de Procurador da República (futuro colega de profissão)!
Um relato que mostra a importância de sempre pensar no dia seguinte, sempre fazer um pouco mais e se orgulhar da própria jornada até a aprovação.
Desejamos ao PEDRO muito sucesso na carreira, que sua posse seja ainda esse ano e que se realize profissionalmente no MPF por completo. O Amapá te espera e tenho certeza que fará um trabalho fantástico em favor do seu Estado!
Vamos ao depoimento:
Olá, caros leitores do Blog do Eduardo Gonçalves!
Primeiramente, gostaria de dizer que escrever esse depoimento me traz uma imensa satisfação pessoal, tendo em vista que sou leitor do blog e sempre me inspirei nos depoimentos dos aprovados, na esperança de que um dia a minha vez chegaria. E, finalmente, chegou!
Me chamo PEDRO PAULO RABELO MIRA JUNIOR, tenho 29 anos. Sou natural de Macapá, estado do Amapá. Tucuju e nortista com muito orgulho!
Eu cresci no interior do estado do Amapá. Até os 8 anos de idade, eu morei em uma comunidade rural/ribeirinha, às margens do Rio Araguari. Após, passei a morar no município de Cutias, onde residi até os 16 anos de idade. Terminei a metade 3º ano do ensino médio em Macapá, no ano de 2013.
Estudei toda a minha vida em escola pública. E nunca prestei nenhum cursinho pré vestibular.
Decidi que iria fazer direito ainda no ensino médio. Prestei o Enem, mas minha nota não foi suficiente para ingressar no curso de Direito pelo SISU ou pelo Prouni. Conseguiria entrar em uma universidade pública em outros cursos, mas meu sonho sempre foi o Direito.
Assim, felizmente tive a oportunidade de ingressar no curso de Direito através do FIES, o qual eu tive a satisfação de pagar todo o meu curso com o dinheiro do meu trabalho, no ano passado rsrs.
Me formei no ano de 2019, na instituição privada Faculdade de Macapá.
Inicialmente, meu sonho era ser advogado. Entretanto, meus planos mudaram em maio de 2017, assim que eu ingressei como estagiário do MPF. Ali, eu tive certeza de qual profissão queria seguir. Procurador da República!
Estagiei no MPF entre maio de 2017 a janeiro de 2019. Após a formatura, recebi a proposta para assumir o cargo comissionado de assessor jurídico do Ministério Público do Estado do Amapá, cargo no qual eu ocupei por 6 anos.
Atualmente, sou Analista Jurídico da PGE do AP e estou em Brasília realizando o curso de formação de Delegado da Polícia Federal, enquanto aguardo a minha nomeação para o MPF.
Sempre conciliei trabalho com estudo. Tinha uma jornada exaustiva de trabalho como assessor do MP estadual, pois sempre trabalhei em promotoras únicas, com matérias plenas. Era um desafio conciliar o excesso de trabalho com uma carga suficiente de estudos. Mas Deus é maravilhoso. No ano passado, 1 mês antes do edital do MPF, fui convocado para assumir o meu atual cargo de analista, o qual me proporcionou mais tempo e qualidade de vida para estudar. Mas aconselho aos estudantes que não esperem o momento perfeito para estudar. Estudem com as condições que tiverem.
Minha rotina de estudos para concurso de carreiras jurídicas se iniciou desde a faculdade. Eu nunca cheguei a estudar para os chamados cargos meios. Sempre acreditei que canalizar as minhas forças desde o início para o meu propósito final iria me ajudar a chegar mais rápido no meu objetivo. Ainda na faculdade, eu prestei concursos no meu estado para Delegado, Defensor e Procurador de Estado, embora não passasse dos 50 pontos.
Após me formar, prestei inúmeras provas de concurso durante o período de 2020 a 2026.
Sempre tive muita facilidade com provas objetivas, razão pela qual passei rápido na primeira fase. Em síntese, para a primeira fase eu focava de maneira exaustiva em lei seca. Perdi a conta de quantas vezes eu li a Constituição e os grandes códigos (CC, CPC, CP e CPP). Tenho a recordação de sempre estar lendo o Código Civil no Natal rsrs, pois para mim nunca existiu feriado, recesso ou fim de semana. Todo dia era dia de estudar. Sempre vivia com uma sensação de urgência de estudos, mas isso é pessoal de cada candidato, e não é determinante para a aprovação. Por outro lado, eu não tinha o hábito de fazer questões para as provas objetivas. E acredito que isso nunca me prejudicou nessa primeira etapa do certame.
Entretanto, estagnei por anos em provas de segunda fase. Ao todo eu coleciono 12 reprovações em provas discursivas, dentre elas, procurador da assembleia do AP; a discursiva do 30° CPR MPF; as discursivas de juiz do AP e do TRF2; 2x nas discursivas do TRF1; e na sentença cível do TJ AM. Também reprovei nas discursivas de Defensor do AP, de Promotor do AP, de SP, de SC, e de Rondônia. Este último, cheguei a ser aprovado inicialmente na discursiva em 2024, fiz a inscrição definitiva, comprei cursos para a oral e reservei passagens e hotel, e comemorei com familiares e amigos. Todavia, semanas antes da prova oral, a banca reinterpretou os critérios de correção da prova discursiva e retirou o meu nome e de mais 60 candidatos da prova oral. Mais uma vez, tive que começar do zero.
Concurso não é sobre ser justo e a reprovação faz parte da trajetória. Quanto mais cedo o candidato perceber isso, mais fácil ele lidará com as eventuais reprovações e obterá forças para continuar.
Minhas reprovações em provas subjetivas não me envergonham, mas sim me orgulham. Me orgulham porque eu não desisti, mesmo diante de múltiplas e sucessivas derrotas. Eu não deixei essas derrotas definirem o meu futuro e nem quem eu sou. Eu acredito que portas não se fecham, elas apenas nos direcionam para o nosso verdadeiro caminho.
Minha dificuldade em provas subjetivas eu atribuo a uma falta de maturidade jurídica, a qual você só adquire quando os três pilares do conhecimento estão sólidos (Lei, doutrina e jurisprudência). Eu dominei a Lei seca muito rápido, por isso passei logo na fase objetiva, mas demorei dominar a doutrina e a jurisprudência, o que atrasou a minha aprovação.
Eu sanei as minhas deficiências em lei e doutrina após ter a convicção de que precisaria ler e reler os julgados comentados de jurisprudência. Sempre utilizei os site buscador dizer o direito, inclusive o seu pod cast (dod cast), o qual passei a ouvir exaustivamente nos últimos anos enquanto me deslocava de carro e na academia. Para a doutrina, passei a dar preferência para materiais mais curtos, pois eu nunca gostei de ler livros grandes. Me irritava ler um excesso de citações de doutrinadores para o autor dizer apenas algo simples. Sempre fui extremamente prático.
Finalmente, nos anos de 2025 e 2026 fui aprovado nas minhas primeiras provas discursivas: Delegado da PF e Procurador da República. Ao todo, eu contabilizo 5.146 horas líquidas de estudo no aplicativo "Aprovado", mas isso não significa que todo candidato precise estudar essa quantidade de tempo para passar em um concurso de alto nível. Têm pessoas que conseguem com bem menos tempo. O importante é não se comparar. Cada candidato tem sua história de vida e as suas dificuldades próprias. Concurso não tem receita de bolo; é você que cria a sua própria receita; o seu próprio método. Quanto mais rápido você encontrar o seu método de estudo que funcione para você, mais rápido você conseguirá passar, pois concurso não é uma fila. Não basta apenas estudar por uma determinada quantidade de tempo. É preciso estudar com método e disciplina.
Felizmente não tive dificuldades nas duas provas orais que prestei e consegui passar com notas bastante confortáveis. Para a oral do MPF, treinava praticamente todos os dias com os colegas. Acredito que treinei com 2/3 dos aprovados no 31° CPR-MPF.
Um detalhe curioso da prova oral é que eu senti que havia me saído muito bem em quase todas as bancas, menos na última, processo penal, justamente a minha matéria preferida. Fiz a prova com uma energia lá em cima, todavia, na última banca, dei uma murchada. Achei que tinha me saído mal e esperava uma nota não tão boa. Esse é um erro de todo concurseiro. Nós temos a mania de querer nos atribuir notas, sem sequer ter ideia do que um examinador leva em consideração para dar uma nota. A surpresa veio com o resultado da prova oral. Minha nota em processo penal foi a minha segunda melhor nota na banca.
Meu maior desafio no MPF foi, de fato, a segunda fase, a qual acredito que é a etapa mais difícil desse certame. Os últimos dois concursos têm evidenciado que a banca do concurso tem se tornado cada vez mais exigente nas correções, tendo em vista que, no 31° CPR, dos mais de 400 candidatos que fizeram a 2ª fase, apenas 43 conseguiram tirar a nota mínima, número este que é inferior ao próprio número de vagas oferecidas no atual certame, 58.
Após a prova discursiva do MPF, em outubro de 2025, eu vivi 4 meses de muita angústia até a publicação do resultado. Eu dormia e acordava pensando no que havia feito na prova discursiva. Sentia que havia feito uma boa prova, mas sempre ficava pensando em coisas que eu tinha feito de errado. E sempre me vinha na cabeça o seguinte questionando: "Será que eu vou fracassar de novo na 2ª fase do MPF? Será que mais uma vez eu vou morrer na praia?" Para avançar para a tão sonhada prova oral, eu tinha que estar entre os 60 melhores candidatos da prova discursiva, e meu histórico em provas dessa natureza era bem desanimador, pois eu já vinha de 12 reprovações em discursiva. O resultado que estava previsto para janeiro de 2026, foi adiado por mais 30 dias. Foram 120 dias de espera que pareciam uma eternidade. Finalmente, no dia 04 de fevereiro de 2026, a tão sonhada aprovação na discursiva do concurso dos meus sonhos chegou. Eu estava deitado na cama quando o resultado saiu, no período da manhã. Estava extremamente ansioso. Primeiro o resultado saiu no portal do candidato. Eu entrei naquele portal e vi que havia conseguido tirar a nota mínima. Nesse momento eu senti a melhor sensação da minha vida. Todo aquele histórico de reprovações estava sendo quebrado. Meu nome estava ali, entre as 20 maiores notas, em um cenário de mais de 400 candidatos. Naquele momento eu estava construindo outra história na minha vida. Naquele momento, não contive as lágrimas e somente agradeci a Deus por ter me proporcionado viver esse sonho. Certamente, esse será um dia que eu nunca esquecerei. Considerado que o resultado da prova discursiva me deixou mais feliz do que o próprio resultado da prova oral.
Deixo como mensagem aos candidatos que ainda persistem na batalha dos concursos o seguinte: Não pensem em desistir nem por um segundo. Lutem até o fim. Recomecem do zero quantas vezes for necessário. O lugar de onde você veio e a faculdade que você cursou não definem o seu futuro. Você é o senhor da sua própria história e só cabe a você construir o futuro que sempre sonhou. Acredito que quanto mais difícil a luta, mais saborosa é a vitória. Não parem as suas vidas por concurso, mas sim ajuste os estudos a uma vida saudável. Não deixem de viver momentos bons com seus familiares. E principalmente, cuidem da saúde mental. Estudar para concurso de alto nível exige muito desgaste mental e o candidato precisa estar preparado para enfrentar as adversidades. Façam exercícios físicos constantemente. E não apostem todas as suas fichas em uma única prova. Abram o leque para outras oportunidades, sempre focando naquilo que de fato é o seu sonho. E que Deus abençoe a jornada de quem está lendo esse depoimento.
PEDRO PAULO RABELO MIRA JUNIOR, aprovado no 31° Concurso para Procurador da República - MPF
Muito sucesso meu amigo.
Eduardo, em 18/07/2026
No instagram @eduardorgoncalves


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