Quem passa diariamente por aqui, PASSA!

Rotina de uma Procuradora da República...



Boa noite meu povo!
Fizeram uma sugestão (mandie querida!) sobre postarmos o dia a dia dos nossos trabalhos, então vou começar!
Meu nome é Nathália, sou Procuradora da República desde o dia 15 de maio de 2014 (posse) e efetivamente trabalhando desde 02 de junho. Assumi na Procuradoria da República de Paragominas, Município distante mais ou menos 4 horas de Belém, de carro, no Estado do Pará.
Antes de assumir aqui, nunca havia pisado no MPF (passei bem longe na prova de analista do MPU de 2010 e reprovei nas duas provas de estágio que fiz em Belém. Agora entrei na marra hahaha), não conhecia as rotinas e minha análise de atuação se limitava aos estudos para o Concurso. Já adianto que é bem diferente do que a gente pensa as vezes.
Meu sonho era ser da DPU, que nem nosso amigo Dominoni, pois havia estagiado na DPU/PA e me apaixonado pela missão de um Defensor, a sua atuação junto aos hipossuficientes e devo admitir que pensava no Ministério Público como "metidos a super heróis". "Cai de paráquedas" no MPF e devo dizer que é apaixonante!
A função primordial de um MP é a função acusatória, mas no MPF você consegue atuar bem mais além disso, consegue abranger quase todas as áreas e se torna meio "enxerido" em tudo.
Estou em uma PRM, ou seja, Procuradoria da República em Município e fico aqui sozinha (nem todas PRM's são assim, algumas tem dois ou 3 colegas com você), possuo uma excelente equipe de servidores (beijo Galera! olha eu aqui na Globo!)  e uma estrutura bem bacana de trabalho, sala própria, confortável, celular funcionar, ipad funcional, internet 3g móvel e um Ultrabook também fornecido pelo MPF para o trabalho.
Meu dia a dia é em cima de prestações de contas, análise de eventuais atos de improbidade, crimes ambientais, financeiros, estelionatos previdenciários, problemas com a Caixa, broncas em hospitais, em escolas (lindo projeto do MPEduc, deem um olho, joguem no google) etc. Minha maior atuação é em cima de direitos indígenas, tendo em vista uma área indigena demarcada que abrange todos os muncípios de minha competência, a terra do Alto Rio Guamá.
O MPF é dividido em câmaras de atuação (CCR's), atualmente são 7 câmaras, e cada uma tem um tema: constitucional; índios e minorias; patrimômio;criminal (todas na página da PGR na Internet)etc...Essas câmaras nos dão suporte de atuação e são responsáveis pela tentativa de uniformizar a atuação dos PR's pelo Brasil sem ferir a independência funcional, sem contar que possuem grupos de trabalho que permitem a pesquisa e aprofundamentos em diversas áreas e temas bem bacanas (direito a verdade, saúde, serviços públicos, trabalho escravo...) que todo PR pode participar!
Fora isso, chegam diversas denúncias, você recebe muitas noticias, visualiza muita coisa no seu dia a dia em que pode atuar. No meu caso, meu município não tem Unidade da DPU, razão pela qual vez ou outra tô envolvida em algum caso que a priori parece individual, mas que pode-se encaixar na atuação do parquet federal.
Peças, recursos, recomendações, e muitas emoções acontecem na nossa rotina, eu que nunca curti muito vida de gabinete tô adorando me envolver de corpo e alma em certas demandas, em atuar naquilo que eu defendo, acredito, em realmente tentar ajudar a mudar, ainda que pouquinho, o quadro social aqui da Cidade que atuo, é uma perspectiva que eu achava que só possuia na Defensoria, e vejo que posso perfeitamente aplicar aqui!
Horário não é fixo, mas você tem obrigação de morar na sede de sua lotação e de respeitar prazos e cumprir suas tarefas, há uma análise bimestral de atuação e produtividade, então é aquilo, você não tem horário fixo para trabalhar, mas atua de acordo com a demanda!
Além das vantagens salariais que são muito boas, o respeito do cargo e sua estrutura ajudam muito. Quem entra tem que pagar seu tempo em interior e capitais do norte em sua maioria, mas como sou de Belém, não sofri muito com isso!
Com a criação de cargos e escalonamento na carreira, prevê-se concurso até 2020 quase todo ano, o que vai permitir uma mobilidade boa por certo tempo até estabilização dos cargos e lotações. Logo, a hora é agora!
Por fim, uma coisa que acho o máximo no MPF é a ausência de excessivas burocracias e eu explico. Em algumas carreiras, e eu ja sofri isso na pele, você não consegue dialogar com o chefe, com colegas em hierarquia superior a sua, acaba ficando meio isolado mesmo. Aqui no MP você tem facilidade para falar com qualquer colega, seja PGR, Subprocurador, Procurador Regional etc... Você tem liberdade de consulta e de diálogo, sem tratamentos de dr. Excelência etc..somos um grande time de colegas!
Claro que tem problemas, como em qualquer carreira, mas até agora, vejo que cheguei no meu lugar e aqui quero construir minha história de vida, meu caminhar.
MPF é uma instituição dos sonhos, isso não muda, idealismos não morrem, nem sonhos, jamais.

Qualquer dúvida a mais, podem mandar email ou deixar aqui nos comentários! espero que tenha ajudado!

Um bjão no coração e vão estudar!

15 comentários:

  1. Oi Nathalia! Estou cursando o 5º ano da faculdade e sou estagiária na Defensoria Pública do RJ, sei bem como e se apaixonar pela DP. Parabéns pela vitória! Eu estou amando o blog, está me ajudando muito com as dicas e o incentivo.

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  2. Gostei do seu post! Até dá um ânimo em prosseguir nos estudos. Estagiei numa procuradoria muito perfeita (em questão de estrutura, organização e pessoal) e isso, em vez de me animar, desanima um pouco. Até porque o Procurador da República sequer precisava trabalhar, além de fazer audiência. Parece que não me envolvi tanto com as matérias interessantes que mencionou, mas apenas com mil processos previdenciários repetidos, alguns MS repetidos e matérias criminais repetidas, que acabam tendo manifestações padronizadas e que praticamente não requerem conhecimento jurídico aprofundado. Por isso seu post se torna interessante pra mim!

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  3. Será que seria possível uma postagem nesses mesmos moldes para as rotinas de trabalho na AGU e na DPU pelos respectivos membros? Muito bom esse feedback sobre o trabalho por quem já está do lado de dentro! Parabéns

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  4. Nathalia, desculpe - me pela pergunta, mas porque você decidiu fazer o concurso MPF? Pergunto isso porque quero estudar focada unicamente para uma carreira, mas não estou conseguindo me encontrar e ao ler que você queria DPU e está amando a carreira em que passou me deu um certo alívio. Já quis tantas carreiras... Não sei o que fazer. sou do TJMG, nível médio, entrei quando ainda estava na faculdade. Está batendo um certo desespero porque há três anos estagnei na minha vida. Rsrs... conseguem me ajudar de alguma forma? Bjoookkk pra vocês e para o mascotinho da turma (seu bebê). @stephaneguimaraes

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  5. Acho MUITO BOM a informalidade com que o post é feito! Estagiei no MPF e o procurador que assessorei era extremamente sério e fechado, dizia que não se podia falar em quase nenhum momento lá e era tudo muito rigoroso, é legal saber que nem todos os PRs são assim... que são "gente como a gente" hehehe.

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  6. Caramba, excelente postagem, deu até um ânimo para focar nessa carreira. Parabéns!!

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  7. Nathalia é motivante seu depoimento. Ver um paraense alcançando vagas no MPF me é muito motivador. Sou paraense de Santarém e quero muito ocupar uma vaga de Procurador da República em minha cidade, seria uma realização indescritível. Obrigada por seu depoimento. Grace

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  8. Nathalia, bjs p vc, obgada por tornar o MPF mais acessível! Vc poderia nos falar como é viver contrariando a interesses de tantos, há um risco no exercício da função, ameaças, essas coisas?

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  9. Primeiramente, parabéns pelo excelente trabalho que vocês se propuseram a fazer neste site, de grande valia para nós, que buscamos alcançar uma das disputadíssimas vagas nos concursos. Bem, me tornei Procurador Municipal de carreira recentemente, mas desde 2007 já trabalhava como assessor jurídico (“procurador de fato”) de uma prefeitura, de um total de mais de 17 anos de servidor público municipal. Não sei ao certo se com o tempo aprendi a gostar (de certa forma sim) ou se é um misto de amor e ódio (rsrsrs), isso porque apesar de ser bom poder contribuir mais de perto com o andamento de uma gestão pública, melhorando o rumo das coisas, ao mesmo tempo é um verdadeiro desalento conviver tão próximo da política (e das "politiquices"), com os abusos, desmandos, a ingerência dos interesses privados e toda sorte de mazelas praticadas e consentidas pelos gestores de plantão... Considerando o tempo de experiência na advocacia pública, tenho maior afinidade com as matérias e temas dessa área, o que facilita os estudos para concursos de PGE’s, AGU, etc. Por outro lado, tenho uma grande inclinação pelo MPF/PGR, tanto pelo seu relevante papel constitucional na busca pela justiça (eu carrego um profundo inconformismo com as mazelas deste nosso país), como também pelo prestígio do cargo (não há como negar). Pergunto: é possível trilhar os dois caminhos, mesmo sabendo da imensa diferença de foco, das disciplinas e dos conteúdos? O que faço? Continuo firme no caminho das PGE’s (com a vantagem de sair na frente em mais da metade do conteúdo) ou vou entrar do sonho do MPF (mas com a desvantagem de começar do zero na maior parte das matérias)? Moro em Rondônia, e em breve sairá edital de concurso para MP (no máximo em três meses), e PGE/RO daqui um ano. Estava quase confirmando a compra do edital esquematizado da PGE, quando decidi lhe enviar esse e-mail. Por favor, preciso de umas dicas, pois estou um pouco desorientado. Obrigado.

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  10. Show, Drª Nathália!

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  11. Muito bom o relato. Estou em busca de novos desafios profissionais e este post, sem dúvidas, vai me ajudar a escolher a carreira que pretendo seguir.

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  12. Nathalia, fiquei duplamente emocionada com seu depoimento. Primeiro porque é meu objetivo de vida ser uma Procuradora da República, segundo porque sou de PARAGOMINAS, aí o coração foi a mil com cada palavra que vc carinhosamente inseriu nesse depoimento. Muito Obrigada!
    Janehelly Nascimento
    janehelly.nascimento@hotmail.com

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  13. Dra., seu relato muito me impressionou, desejo partilhar um pouco da minha história e receber uma dica de por onde começar os estudos para este cargo, pois antes de você parecia impossível.
    Ficaria grata com o retorno.
    Abraços, parabéns!
    Thais Amorim
    thais.tmaps@hotmail.com

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  14. Dra., o relato de sua trajetória é um estímulo para pessoas como eu. Desejo partilhar via e-mail a minha e receber uma dica de por onde começar os estudos para este cargo, seria muito importante e de grande valia.
    Serei eternamente grata se responder a este post.
    Abraços! Parabéns pelo êxito!
    Atenciosamente,
    Thais Amorim
    thais.tmaps@hotmail.com

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  15. Que lindo Nathalia!!!! Amei...
    Principalmente porque também não tinha muita ideia do trabalho no dia a dia, muito obrigada pelo post!!!!
    Sempre que puder nos conte mais sobre a realidade do MPF para nos inspirar ainda mais!
    Muito, muito obrigada.

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