Oi meus amigos, tudo bem?
Hoje vou trazer um depoimento excepcional para vocês, relato com dicas e bibliografia do EMANUEL FERNANDES MONTEIRO DE ALMEIDA, aprovado no 31º Concurso para o cargo de Procurador da República e futuro colega de profissão!
Um relato excepcional que mostra que não existe fórmula mágica e que a aprovação não depende da genialidade, mas sim de fé, capacidade de adaptação, persistência e disposição para seguir em frente.
Desejamos ao EMANUEL muito sucesso na carreira, que sua posse seja ainda esse ano e que se realize profissionalmente no MPF por completo.
Vamos ao depoimento:
Meu nome é Emanuel Fernandes Monteiro de Almeida, tenho 26 anos e exerço o cargo de Delegado de Polícia Civil do Estado do Paraná. É uma honra escrever no blog que tanto me serviu de inspiração. Alguns depoimentos de aprovados no MPF aqui publicados eu devo ter lido umas 20 vezes, até internalizar as dicas e materiais que se adaptavam à minha rotina.
Minha trajetória nos concursos públicos começou cedo. Durante a graduação em Direito, decidi seguir uma “escada” gradual, em busca de independência financeira e de experiência profissional, até alcançar a carreira jurídica que desejava.
Aos 18 anos, em 2017, à base de muito PDF do Estratégia e itens do Cespe no QC, assumi o cargo de Técnico Administrativo da Anvisa, onde permaneci por um ano e meio. Em seguida, fui aprovado para o Tribunal Superior do Trabalho, no qual atuei como Técnico Judiciário e Assistente de Ministro por cerca de três anos e meio.
Minha trajetória não foi linear. Passei por vários períodos sem estudar, alguns durando meses. Nunca tive uma rotina perfeita. Olhando para trás, acredito que minha qualidade não foi a disciplina ininterrupta, mas a capacidade de recomeçar.
Durante a faculdade, fui aprovado para o cargo de Analista do TRF1. A nomeação ocorreu apenas anos depois, em razão da suspensão da validade do concurso durante a pandemia, quando eu já estava na Polícia Civil. Em julho de 2022, tomei posse como Delegado de Polícia Civil do Paraná. Ainda naquele ano, fui aprovado para o cargo de Auditor Federal de Finanças e Controle, na área jurídica, da Controladoria-Geral da União. Embora tenha sido convocado em 2024, optei por permanecer na gloriosa PCPR.
Comecei a preparação focada no MPF em março de 2024. A rotina na Delegacia era pesada. Havia dias em que, pelo cansaço, eu não conseguia estudar; em outros, estudava apenas 30 minutos, 1 hora… Quando tinha algum sábado livre e estava descansado, tentava compensar com jornadas de até 9 horas de estudos. Conciliava o expediente na Delegacia com plantões regionais de flagrantes, algumas vezes por mês, a 120 km de onde morava. Isso significava dezenas de oitivas audiovisuais, madrugadas inteiras de trabalho e deslocamentos, de modo que a luta contra o sono e o cansaço foram um dos maiores desafios da preparação. Para aproveitar melhor o tempo nos deslocamentos, converti em audiobooks, por meio da ferramenta NaturalReader, os textos do Santo Graal relativos a temas mais leves e principiológicos. Assim, conseguia, ouvindo, revisar conteúdo enquanto dirigia.
Em fevereiro de 2025, meu pai faleceu. A última conversa que tive com ele foi sobre o concurso do MPF e sobre o terno que ele, grande incentivador dos meus estudos, queria usar na minha posse. O edital saiu no mês seguinte. A partir dali, inclusive como forma de honrá-lo, passei a me dedicar de maneira intensa, apesar das dificuldades por estar lotado em um município criminalmente complexo do interior do Paraná. Estudei quase todos os dias desde então, ainda que por três horinhas focadas, até a tarde de 18 de abril de 2026, data da minha prova oral em Brasília. Naquele dia, no último andar da Procuradoria-Geral da República, fui arguido durante 104 minutos e respondi a aproximadamente 120 perguntas formuladas por juristas que sempre admirei, como o PGR, Paulo Gonet, e o Dr. Eugênio Pacelli. Eu estava bastante feliz só por ter chegado ali. O resultado positivo, no dia 18 de maio, foi o encerramento de muitos anos de luta.
Com a publicação do edital, em março de 2025, recebi grandes apoios. Um amigo assumiu meus plantões, e meus chefes foram compreensivos nos períodos de férias que eu havia acumulado de propósito para utilizar antes da prova discursiva e da prova oral. Criei um perfil no Instagram para registrar minha trajetória e acompanhar a caminhada de outros concurseiros.
Meu estudo se apoiou em quatro pilares: lei seca, jurisprudência, doutrina básica e estratégica e questões. Estudei diretamente pelo Vade Mecum da Juspodivm, com marcações, criando familiaridade com o material que utilizaria nas provas discursivas. Fiz o mesmo com o Vade Mecum Internacional do Mazzuoli.
Minhas revisões ocorriam principalmente por meio da resolução de questões. Para os concursos administrativos, para a CGU e para Delegado de Polícia, resolvi mais de 45 mil questões no QConcursos ao longo dos anos. Já para o MPF, como eu já tinha adquirido bom traquejo de prova, foquei mais na expansão e no aprofundamento da base teórica. De 2024 para cá, resolvi aproximadamente 3 mil questões no TEC Concursos.
Em jurisprudência, meu foco nunca foi decorar todos os fundamentos. Priorizava as sínteses, as conclusões finais e centrais, os temas de repercussão geral e os recursos repetitivos. A partir de dezembro de 2024, utilizei ferramentas de IA para resumir julgados extensos e identificar os pontos mais relevantes, em pouquíssimas linhas para cada julgado. Aprofundava os fundamentos apenas quando eles refletiam o perfil da carreira pretendida. Para Delegado, isso significava Direito Penal e Processo Penal (ainda não havia IA na época). Para o MPF, Direito Ambiental, Direitos Humanos, direitos indígenas, mineração, crimes federais etc.
Quanto às fontes de estudo, utilizei Marcelo Novelino em Direito Constitucional. Em Direito Administrativo, Marcelo Alexandrino/Vicente Paulo. Em Direito Civil, o volume único de Cristiano Chaves e Nelson Rosenvald, embora tenha conseguido avançar apenas até metade da obra. Com a aproximação da prova objetiva, por limitação de tempo, passei a utilizar o Santo Graal, que acabou se tornando minha principal base teórica (não somente em Civil, mas em todas as matérias).
Em Processo Civil, usei Marcus Vinicius Rios Gonçalves, além do Santo Graal e do e-book de Direitos Difusos do CPIuris.
Em Direito Penal e Processo Penal, durante a preparação para Delegado, utilizei as Sinopses da Juspodivm, dos autores Marcelo Azevedo, Alexandre Salim e Leonardo Barreto. Para o MPF, o foco nessas disciplinas, nas quais eu já possuía uma certa base (inclusive familiaridade profissional), foi revisão (por questões), atualização legislativa (posts do Buscador DOD resumidos via IA + Vade grifado nas mudanças legais) e aprofundamento nos enfoques federais (aqui, o Santo Graal e os enunciados das CCRs foram essenciais; não li livros sobre crimes federais).
Entre abril e junho de 2025, li integralmente o Curso de Processo Penal de Eugênio Pacelli, examinador do concurso. O estudo dessa obra foi decisivo para meu desempenho na prova objetiva, na qual obtive a terceira maior nota do país.
Em Direito Ambiental, usei o Santo Graal, estudei trechos da obra Proteção Jurídica do Meio Ambiente (do examinador Nicolao Dino) e li bastante lei seca (CF, CFlo, PNMA, SNUC, LC 140 etc.). Em Direito Tributário, utilizei o Santo Graal, a legislação (CF e CTN, sobretudo) e as videoaulas do módulo da Juíza Federal Aline Soares. Em Direito Eleitoral, estudei pelo Santo Graal, com muita lei seca (Código Eleitoral, Lei dos Partidos Políticos, Lei das Eleições e LC 64/90), súmulas do TSE na ponta da língua e as aulas gratuitas da ESMPU no YouTube, dos Procuradores Heliofar e Luiz Carlos Gonçalves. Para Direito Internacional Público e Privado, Direito Econômico e Direito Financeiro, utilizei praticamente apenas o Santo Graal, com complemento, em Direito Financeiro, da Lei nº 4.320/1964 e da Lei de Responsabilidade Fiscal; em Direito Econômico, da Lei do CADE; e, em Direito Internacional Público (incluindo DH) e Privado, dos principais dispositivos convencionais, mencionados nos Graal’s de Internacional e DH e, concomitantemente, grifados por mim no Vade Internacional. Evidentemente, os fundamentos e previsões constitucionais, para todas as disciplinas, precisavam estar na ponta da língua.
Para as fases discursivas, inclusive peças, utilizei os cursos do JusConc, JusFederal e Themas, entre junho e setembro de 2025. Foram essenciais para minha aprovação.
Para a segunda fase, adotei uma estratégia particular. Comprei quase todos os livros publicados pelos examinadores, inclusive obras raras encontradas apenas em sebos. Não li nem 10% desse material. Meu objetivo era entender como aqueles examinadores pensavam e escreviam. Com auxílio de IA, identifiquei teses e argumentos recorrentes, expressões características e padrões de linguagem. Um dos examinadores utilizava a expressão “tráfego negocial”. Passei a incorporar essa e outras terminologias e construções linguísticas. Tanto que o primeiro período da minha resposta de Direito Civil foi: “O princípio da conservação dos negócios jurídicos é viga-mestra orientativa do tráfego negocial e da dogmática do direito privado”. Eu estava pronto para utilizar essas duas palavras em qualquer questão sobre obrigações, contratos ou negócios jurídicos. Superstição neurolinguística? Talvez. Mas cheguei à prova mais seguro por conhecer até o jeito de escrever e os elementos de coesão textual de cada um dos seis examinadores.
Para a prova oral, fiz treinos com colegas e Professores e fiz o curso Retórica do Procurador Júlio. O investimento e a viagem a São Paulo valem completamente a pena.
No meio de 2025, consegui chegar à prova oral do MPSP sem ter estudado especificamente para aquele concurso. Minha preparação estava totalmente voltada ao MPF. Para a arguição oral, realizei um estudo emergencial de Direito Empresarial. Saí da prova bastante confiante. Acabei sendo reprovado. Foi uma frustração grande, mas procurei não me deixar abater.
Apesar de trabalhar diariamente apenas com Penal e Processo Penal, obtive nas discursivas do MPF a terceira pior nota do grupo criminal entre os 41 aprovados. Por outro lado, em Direito Civil e Processo Civil, disciplinas que sempre considerei minhas maiores dificuldades, alcancei uma das 10 maiores notas do concurso. Isso indica que o concurso é um exercício de equilíbrio. Mesmo nas disciplinas em que acreditamos ter maior domínio, podemos ter um desempenho abaixo do esperado, exatamente porque o conforto pode ser uma armadilha. Por outro lado, as matérias em que nos sentimos mais frágeis devem receber maior atenção e esforço, o que pode resultar em melhores notas. É preciso percorrer todo ou quase todo o edital, para tentar se garantir no “básico bem feito” de todas as disciplinas e, de pontinho em pontinho, atingir a almejada nota 6 nas discursivas e na oral (além do corte da primeira fase).
A mensagem que deixo é simples: não existe fórmula mágica. Aprovações não dependem de genialidade, mas de fé, capacidade de adaptação, persistência e da disposição de seguir em frente mesmo diante de interrupções, reprovações, perdas e dificuldades pessoais. A sensação da aprovação, a segurança proporcionada pelo cargo e a possibilidade de (para aqueles que, como eu, creem) servir como instrumento de Deus na vida de outras pessoas (apesar de nossa pequenez diante da imensidão do mundo) fazem com que todos os reveses e adversidades tenham valido a pena.
Muito sucesso meu amigos.
Eduardo, em 11/06/2026
No instagram @eduardorgoncalves


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