Oi meus amigos, bom dia a todos!
Hoje trago o depoimento do João Pedro Laurentino Gomes, aprovado no 31 Concurso do MPF para procurador da República.
O João Pedro era leitor do blog, leu vários dos depoimentos de aprovado aqui e hoje conta a sua história. Esse é o poder do estudo, ele transforma seus objetivos e metas em realidade.
O João ainda prova que manter o foco no que realmente deseja traz ótimos resultados.
Uma das coisas da qual mais me orgulho na minha trajetória foi ter sustentado o meu sonho por tanto tempo. Não foi nada fácil. Muitas pessoas – muitas mesmo, quase todo mundo – me diziam que estudar apenas para o concurso do MPF era loucura. Que eu deveria abrir o leque para outras opções. E, racionalmente, sei que essas pessoas estavam certas. Mas sempre pendi para o lado da emoção. Resolvi escutar o meu coração.
Desejamos ao João Pedro muito sucesso no MPF.
Vamos ao depoimento:
Sou João Pedro Laurentino Gomes, natural de Natal/RN, 32 anos. Por muitos anos, li os depoimentos de aprovados no blog do Edu e, agora, sinto-me muito feliz em poder contar um pouco da minha trajetória aqui. Compartilho a minha experiência, de cunho individual e sem pretensão alguma de universalizar qualquer jornada pessoal, com a genuína intenção de poder iluminar, ainda que um pouco, a dura estrada em busca da sonhada aprovação.
Concluí a graduação no curso de Direito pela UFRN em meados de 2017. Na época, o concurso vigente para servidores do MPU estava para vencer, com alta probabilidade de um novo concurso que contemplaria o cargo de analista jurídico. Vislumbrei ali a possibilidade de estudar para um bom concurso, que me possibilitaria ter renda e segurança necessárias para me dedicar integralmente ao concurso que era meu grande sonho, o concurso do MPF para o cargo de procurador da República.
Decidi, portanto, estudar para o cargo de analista do MPU antes de focar nos estudos para o CPR (concurso público para procurador da República). Estava traçado meu plano e passei a executá-lo.
Em janeiro de 2018, assumi um cargo de assessor no MPF, no mesmo ofício no qual havia estagiado por 2 anos, de 2015 a 2017, ocasião em que conheci e me apaixonei pela carreira do MPF. Passei a conciliar a jornada de estudos com o trabalho, situação essa que me acompanhou ao longo de toda a minha preparação até a aprovação no MPF.
A prova do MPU apenas ocorreu em outubro de 2018, de modo que tive mais de um ano de preparação específica para esse certame. Obtive aprovação em uma classificação razoável e, vencida essa etapa – que deflagrou a fase de espera pela nomeação –, resolvi que era o momento de começar a minha preparação voltada para o concurso do MPF, meu maior sonho profissional.
Eu já possuía certa noção de como era o concurso, pois, durante a faculdade, já pesquisava sobre os detalhes do certame, mas, naquele momento, pesquisei ainda mais sobre a prova, li depoimentos de aprovados (muitos no blog do Edu) e tirei dúvidas com os candidatos do 29º CPR (que, no momento, haviam acabado de ser aprovados).
Comecei efetivamente meus estudos para o MPF em dezembro de 2018, em pleno recesso judiciário. Estava em um estado de animação absurda. Não apenas por se tratar da preparação para o cargo dos meus sonhos, mas por realmente ser um conteúdo programático que me dava gosto de estudar. Esse estado de animação me acompanhou por boa parte de minha jornada, apesar dos desânimos no caminho, e acredito que é desse tipo de otimismo que devemos nos nutrir ao longo da árdua preparação em busca de um grande sonho.
Em linhas gerais, meu estudo era cíclico, ou seja, no mesmo dia estudava um pouco de três disciplinas diferentes, dividindo o estudo em blocos de leitura do material escolhido, leitura da legislação correlata e exercício com questões objetivas. Embora eu tivesse, por vezes, o receito de avançar muito lentamente no estudo, eu sentia que esse tipo de estudo era mais dinâmico e oxigenava melhor o meu cérebro, além de me permitir estar em constante revisão dos assuntos já estudados.
O Edital Esquematizado do Meu Esquematizado era o meu guia de estudos. Usei tanto na minha preparação para analista do MPU quanto para o cargo de procurador da República. Minha versão impressa está hoje bastante surrada, cheia de anotações e grifos, e acho realmente de grande valia para quem pretender estudar para o MPF, pois destrinchar o edital e saber exatamente quais pontos dar maior atenção em cada assunto é fundamental.
Utilizei apenas alguns livros de doutrina, em matérias que pontualmente demandavam uma maior atenção pelas especificidades do concurso do MPF (André de Carvalho Ramos para direitos humanos; Portela para direito internacional; Daniel Sarmento para a parte hermenêutica de direito constitucional; e Rodrigo López Zilio e José Jairo Gomes para direito eleitoral), mas para boa parte da minha base de estudos li materiais de cursos jurídicos (usei o do Ciclos). Realizava muitas questões e lia bastante a legislação nacional e internacional, algo bem importante para a prova do MPF – saber o teor expresso de determinados tratados como se fossem legislação doméstica.
Jurisprudência também era algo que sempre estudava, mas preferia fazê-lo de modo concomitante aos assuntos que eu estudava, ou seja, ao terminar o estudo do tema, buscava estudar a jurisprudência correlata (utilizei o Buscador do Dizer o Direito, dica que considero muito proveitosa). O acompanhamento dos informativos do STF e STJ eram esporádicos, nunca conseguia estar tão atualizado. Também me atentei bastante para a jurisprudência internacional, em especial do Sistema Interamericano de Direitos Humanos, pois é tema bastante caro à atuação do MPF, mesmo com a mudança no edital, que retirou direitos humanos como disciplina autônoma do programa (os julgados da Corte IDH e as opiniões consultivas me auxiliaram muito em matérias como direito ambiental, por exemplo).
Como sempre trabalhei durante a minha preparação, tive de organizar bem o meu tempo para estudar com qualidade. Em média, conseguia estudar entre 3h e 3h30 líquidas em dias de semana, e, nos finais de semana (geralmente sábados, pois aos domingos eu diminuía mais o ritmo), em torno de 4h30 a 5h.
Houve inúmeras oscilações nesse período de estudos, momentos em que eu mal conseguia estudar, mas sempre buscava estudar uma horinha que fosse. Manter a constância e prezar pela qualidade era o mais importante para mim, muito embora, em vários momentos de comparação, eu tenha me questionado se estava no rumo certo, se não deveria acelerar os estudos a todo custo, se não deveria pegar mais pesado.





