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A Minha Trajetória até o Ministério Público Federal: O Poder da Simplicidade e da Constância

Oi meus amigos, tudo bem? 


Hoje vou trazer um depoimento excepcional para vocês, relato do Guilherme Branco, aprovado no 31º Concurso para o cargo de Procurador da República e futuro colega de profissão! 


Um relato leve, que mostra o poder da constância, da organização e da confiança no resultado. 


Desejamos ao Guilherme muito sucesso na carreira, que sua posse seja ainda esse ano e que se realize profissionalmente no MPF por completo. 


Vamos ao depoimento: 


Inicio agradecendo a oportunidade de relatar minha trajetória em um dos blogs de maior sucesso entre os concurseiros, senão o maior. Me chamo Guilherme José Branco Paula, tenho 37 anos, sou natural de Itaperuna/RJ e bacharel em Direito há aproximadamente 12 anos. Atualmente, ocupo o cargo de Oficial da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro e, há cerca de 5 anos e 6 meses, iniciei meus estudos focado nas carreiras do Ministério Público e da Magistratura.


O início dessa jornada, em 2021, foi bastante artesanal e sem um direcionamento claro. Na época, eu tinha em mente a ideia equivocada de que, para passar em um concurso do MP, precisaria ler todos os manuais possíveis de capa a capa. Com apenas 5 meses de bagagem, prestei as provas do MPDFT e do MPMG. Obviamente, sem sucesso. Por ter pouco tempo de preparação, imaginei que bastava persistir naquele mesmo método que a aprovação chegaria com o tempo. Assim, não atribuí, de início, aquelas duas primeiras reprovações à minha metodologia. O restante do ano de 2021 passou e continuei focado nas leituras dos manuais, cometendo o erro fatal de não construir nenhum tipo de material de revisão. Também não fui adepto de fazer cadernos ao longo dos estudos, tentei, mas não funcionou para mim. 


No ano de 2022, já com a leitura quase finalizada dos livros de base clássicos que eu havia selecionado — os quais utilizei como parâmetro a partir de postagens de bibliografia aqui do próprio blog —, enfrentei novamente os certames do MPSP e do MPMG. Mais uma vez não fui aprovado, porém consegui perceber uma pequena evolução, pois fiquei consideravelmente mais perto da nota de corte. Foi o estalo que eu precisava: abandonei os estudos exclusivos por manuais extensos e mudei de estratégia. Escolhi um curso que me fornecesse videoaulas para os temas em que eu enfrentava maior dificuldade, como Civil, Empresarial e Tributário, além de PDFs que permitissem uma revisão mais ágil.


Nunca fui adepto de métodos rígidos ou de cronogramas complexos fornecidos por cursinhos, como os ciclos de 10, 20 ou 30 dias estabelecidos por "coachings". Minhas revisões eram feitas na medida em que sentia necessidade real sobre determinado assunto. Se eu errava muitas questões de Direito Civil em negócios jurídicos ou contratos, por exemplo, voltava pontualmente neles; e assim fazia com todas as demais matérias. Sempre priorizei a simplicidade e tive em mente que é o “feijão com arroz” bem feito que aprova, um ensinamento que, inclusive, li aqui no blog do Edu.


Dessa forma, organizei uma rotina simples e sustentável. De segunda a sexta-feira, eu estudava em dois turnos (das 5h às 8h e depois das 19h às 22h), focando no material do curso que já compilava resumo doutrinário, lei seca, jurisprudência atualizada e questões ao final de cada assunto, isso otimizou absurdamente meu tempo. Lia os PDFs durante a semana, divididos em duas matérias por dia (as escolhas das matérias eram feitas aleatoriamente no dia anterior). Os finais de semana eram inteiramente dedicados a resolver o máximo de questões possível e colocar os informativos em dia. Como nunca consegui manter uma rotina isolada de leitura de lei seca, optei por priorizar a absorção e o entendimento aprofundado de cada temática, estudando a legislação de forma contextualizada. Esse foi o método que deu certo para mim e que me fazia sentir que estava aprendendo e avançando com o conteúdo de forma efetiva.


O tempo passou e segui prestando as provas de MP e Magistratura. Em meados de 2023, quando o pessoal do 30º Concurso para Procurador da República (CPR) tomou posse e os boatos sobre o certame seguinte começaram a ventilar, decidi iniciar a minha preparação específica para o Ministério Público Federal. Conjuntamente com meus materiais de base, passei a incluir algumas bibliografias direcionadas: em Constitucional, li alguns capítulos do Daniel Sarmento; em Direito Econômico, estudei pela sinopse da Juspodium e fiz um excelente curso em videoaulas com o professor e Procurador da República Fernando de Oliveira Júnior. Como meu conhecimento em Internacional era nulo, recorri à obra do Paulo Henrique Portela, que foi mais do que suficiente, porém esse eu estudei de capa a capa. Para Direitos Humanos, embora a obra do professor André de Carvalho Ramos seja a referência, eu não teria tempo hábil para esgotá-la; por isso, optei por uma sinopse e confiei no que já vinha fazendo no meu curso regular, visto que DH é matéria comum com os MPs estaduais e Magistratura. Outro passo indispensável nessa fase foi a leitura dos enunciados das Câmaras de Coordenação e Revisão, encontrados no próprio site do MPF, além de ler todas as notícias do site para entender e conhecer as matérias do dia a dia de um procurador da República.


Sob essa rotina firme, os resultados começaram a aparecer em 2024. Prestei o ENAM 2024.1 e logrei aprovação. Continuei com o meu método sem abandoná-lo. A essa altura do campeonato, não havia qualquer assunto que eu já não tivesse visto em algum momento; as leituras diárias acabaram se tornando a minha própria revisão de longo prazo, sem a necessidade de ciclos mágicos. Cada candidato precisa encontrar e adequar a melhor forma para si, pois não existe uma fórmula fechada nem um cronograma milagroso: o caminho é feito entre erros e acertos.


A grande virada de chave aconteceu em 2025, quando as aprovações começaram a surgir. Fui aprovado para a segunda fase do MPSP, onde fiquei por apenas alguns décimos da prova oral. Simultaneamente, alcancei a segunda fase do MPRJ, o MP do meu estado, onde eu estaria em casa, e a segunda fase do MPF (31º CPR), o concurso dos meus sonhos. Diante de uma coincidência de datas, onde um dos grupos da segunda fase do MPRJ caiu exatamente no mesmo dia das discursivas do MPF, precisei fazer uma escolha. Optei pelo MPF com leveza no coração, e deu certo.


Olhando para trás, percebo que as coisas só começaram a dar resultados expressivos após 4 anos de estudos ininterruptos e sem muitas oscilações no método. Eu tinha todos os motivos possíveis para desistir, mas escolhi confiar naquilo que me propus a fazer. Foi uma questão de tempo e de pequenos ajustes ao longo da trajetória. Analisar o que pode ser melhorado e ter a coragem de mudar quando necessário é fundamental. Isso não significa perda de tempo; ao contrário, a aprovação é o fruto maduro de tudo o que você acumula de conhecimento ao longo do caminho. Apesar de eu ter identificado como um “erro” inicial o longo período focado estritamente em manuais extensos, tenho certeza de que essa base robusta contribuiu de alguma forma para a minha aprovação em todas as fases do certame do MPF.


Durante todo esse percurso, eu lia o blog do Edu todos os dias, e digo isso aqui sem qualquer demagogia. Às vezes, em uma ou outra folga no trabalho, eu aproveitava para colocar os assuntos do blog em dia e estudar as "Super Quartas". Essa leitura foi essencial, de verdade. O trabalho que esse meu futuro colega faz é simplesmente sensacional.


Por fim, desejo aos nobres colegas concurseiros que apenas continuem caminhando. Vá da maneira que der, no seu ritmo, mas não pare. Uma hora a aprovação vem e você vai olhar para trás sentindo um orgulho absurdo de toda a sua dedicação. Muita fé e força a todos vocês.


Um grande abraço e, mais uma vez, obrigado pelo espaço, Edu!


Guilherme Branco, aprovado no 31º Concurso para o cargo de Procurador da República. 



Sucesso Guilherme, que você seja muito feliz no MPF. 


4 de junho de 2026!

 


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