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Olá pessoal, tudo bem?  Hoje saiu o edital do ENAM, e por isso vou disponibilizar para vocês algumas estatísticas e gráficos que vão ajudar ...

DEPOIMENTO DE APROVADO PGE/TO - EDUARDO EDSON CAVALCANTE FERREIRA

Olá meus amigos, tudo bem? 

Hoje trago a vocês um depoimento muito inspirador, do amigo  Eduardo Edson Cavalcante Ferreira aprovado na PGE/TO. Uma história fantástica. Eduardo trabalhou como servente de pedreiro clandestinamente na Guiana, estudou, mudou sua vida e de sua família e hoje está aprovado na PGE/TO, um dos concursos mais difíceis do país.

Ao Eduardo desejamos muito sucesso e que a história dele sirva de exemplo para todos que seguem nos estudos. 

Vamos a essa história espetacular


DEPOIMENTO

Primeiramente agradeço ao professor Eduardo Gonçalves pela oportunidade de poder compartilhar minha história. Espero inspirar outros concurseiros, assim como fui motivado por muitos depoimentos. Relato a ajuda do blog para a formação de base e sua contribuição para eu sair da estagnação.   

  
BREVE AUTOBIOGRAFIA  
  
Meu nome é Eduardo Edson Cavalcante Ferreira. Tenho 52 anos. Fui aprovado este ano (2026) no concurso para Procurador do Estado de Tocantins, em 5º lugar. Essa colocação foi dentro do número de vagas do edital. Ainda estou aguardando a nomeação. Sou natural de Belém-PA. Moro há 20 anos em Macapá-AP. Sou casado e tenho 2 filhos (de 9 e 7 anos) e uma enteada (21 anos). Minha esposa é servidora do Ministério Público do Estado do Amapá. Meu pai era garçom e caseiro. Minha mãe era do lar. Atualmente é pensionista pelo INSS. Viúva. Tem 78 anos e mora comigo.   
  

*Vida Estudantil*  
  
Ensino Fundamental: a maior parte foi em escolas públicas, salvo a 7ª e a 8ª séries, que estudei em escola particular. Contudo, nesses dois anos, tive que vender pipoca para pagar a mensalidade.  
Primeiro ensino médio: o meu primeiro ensino médio fiz numa escola agrícola estadual de São Paulo. Nas aulas teóricas, tinha que capinar (carpir), cuidar das hortaliças e dos animais.  
Segundo ensino médio: aproximadamente 5 anos após a conclusão do ensino médio, percebi a necessidade de voltar a estudar. Estava sem perspectiva no meu primeiro emprego de balconista numa loja de materiais de construção, além de não estar mais suportando as cobranças e a sobrecarga de trabalho. Contudo, não me achava com base para encarar um vestibular para conquistar uma vaga numa universidade pública. Então, resolvi cursar novamente o ensino médio. Fiz o processo seletivo da Escola Técnica Federal do Pará (atual IFPA). Fui aprovado e concluí o curso de processamento de dados.  
Ensino Superior: só acessei o nível superior quando já contava com 35 anos. Tentei o vestibular por 3 anos seguidos. Fui aprovado em 2009 no curso de Direito da Universidade Federal do Amapá. Nessa época, eu era servidor do TRT8 em Macapá-AP, no cargo efetivo de técnico judiciário. Formei-me em 2014, aos 40 anos de idade.  

  
*Vida Profissional*  
  
Comerciário: trabalhei como balconista numa loja de materiais de construção por mais de 5 anos, de dezembro de 1992 a 1998.  
Aeroportuário: trabalhei na INFRAERO, em emprego público de nível fundamental, por 7 anos, de 1998 a 2005.  
Técnico Judiciário no TRT8: tomei posse em 2005 e trabalho até hoje, o que já soma quase 21 anos.  
Antes desses trabalhos formais, cheguei a trabalhar como servente de pedreiro clandestinamente, na Guiana Francesa. Foi em meados de 1992. Utilizei a logística clandestina da época. Peguei uma catraia (uma grande canoa motorizada) em Oiapoque-AP no início da noite e desembarquei em uma praia de Caiena, na Guiana Francesa, por volta das 4 horas da manhã. Permaneci lá por cerca de 6 meses trabalhando de servente de pedreiro com meu irmão mais velho que já morava lá e trabalhava de pedreiro. Foi a maior aventura da minha vida, mas isso é uma outra história, a ser contada em outro contexto.  

  
*Vida Concurseira*  
  
Nessa jornada de realização de concursos públicos, fiz e reprovei em vários. Vou citar apenas aqueles em que fui aprovado.  
INFRAERO: 1997/1998. Emprego público de nível fundamental de auxiliar aeroportuário.  
Caixa Econômica Federal: 2002/2003. Emprego público de nível médio de técnico bancário. Não assumi. Apresentei manifestação de desistência porque o salário era equivalente ao que já recebia na INFRAERO.  
TRT8: 2004/2005. Cargo público efetivo de técnico judiciário (onde trabalho atualmente há 20 anos).  
Assembleia Legislativa do Amapá: 2019/2021. Cargo efetivo de Procurador Legislativo. Passei em 4º lugar nas cotas para negros. Não fui nomeado.  

  
TUDO QUE UM HOMEM É CAPAZ DE REALIZAR, O OUTRO TAMBÉM É   
  
Antes de contar minha trajetória de estudos específicos para procurador estadual, quero destacar que eu não me achava capaz de ser aprovado em um concurso desse nível. Eu até cogitava passar na fase objetiva, mas jamais numa discursiva. Ser aprovado numa fase subjetiva era algo inalcançável para mim. Por isso, eu estudava apenas para concurso de analista de TRT, cargo dos meus sonhos até então. Eu me subestimava veementemente. Conhecia, mas não aplicava a máxima segundo a qual: “tudo o que um homem é capaz de realizar, o outro também é”.  
Contudo, em 2019, resolvi prestar o concurso para o cargo de procurador legislativo da Assembleia Legislativa do Amapá, já que não iria ter gastos com viagem. Na época, eu já ocupava o cargo público efetivo de técnico judiciário da Justiça do Trabalho, cargo que ocupo até o momento (outubro de 2026) desde 2005. Por isso, escolhi prestar para o cargo mais elevado, cujo salário, na época, era um pouco melhor que o meu de técnico. Como já era concursado, fiz o certame despretensiosamente. Para minha surpresa, fui aprovado na prova objetiva na lista de cotas para pessoas negras (eu me considero pardo). Entre esses cotistas, foram aprovados 29 candidatos para a discursiva. Essa etapa aconteceria, aproximadamente, um mês após a objetiva. Entretanto, foi adiada por cerca de um ano em razão da pandemia.  
Esse adiamento me favoreceu, já que não possuía conhecimento de como estudar para provas discursivas. Até cheguei a procurar na internet cursos de segunda fase, mas não encontrei. Hoje já conheço e sigo alguns cursos preparatórios para concursos de procuradorias, mas na época não conhecia nenhum. Então fui estudando de forma amadora, conforme minha intuição. Lia algumas doutrinas, especialmente de direito administrativo e de constitucional. Com um pouco de dificuldade, encontrei, no site do STF, seus informativos, os quais também passei a ler para a preparação.  
A aplicação da prova discursiva ocorreu em agosto de 2021. De 29 candidatos que estavam concorrendo nessa fase, apenas 4 foram aprovados. Eu estava entre eles, para minha surpresa. Fui o 4º colocado.  
Não cheguei a ser nomeado. Contudo, essa aprovação me mostrou que eu era capaz de conquistar uma aprovação numa prova discursiva para cargo de carreira jurídica. Ficou a lição de que todos somos capazes e não devemos nos subestimar. Afinal, tudo o que um homem é capaz de realizar, o outro também é.  
  

O MARCO INICIAL  
  
Considero o marco inicial da minha trajetória de estudos para concurso de Procurador de Estado como sendo o dia posterior à realização da prova discursiva para procurador da Assembleia Legislativa do Amapá, o que ocorreu em agosto de 2021. O marco final veio em junho de 2026, com a aprovação no concurso de Procurador do Estado do Tocantins. Então foram quase 5 anos de estudos árduos.  
No início, eu não sabia muito bem de que forma estudar. Não tinha nenhuma estratégia. Também não tinha condições de comprar um curso. Por isso, comecei a seguir o perfil do Instagram de alguns professores e cursos, tais como o @aprovacaopge, @revisaoensinojuridico, @prof.renerio, @estrategiacarreirajuridica, @felipefernandes.prof, @ubirajara_casado, @soprocuradorias, dentre outros. Assim, pegava algumas dicas que eles compartilhavam.   

  
*A formação da Base*  
  
Foi também nessa época que passei a seguir o perfil do professor Eduardo Gonçalves, @eduardogoncalves, e conheci seu blog, eduardorgoncalves.com.br. Nele encontrei indicações de bibliografias para várias carreiras, dentre as quais a de Procurador de Estado. Isso foi perfeito para mim que não tinha dinheiro para comprar um curso. Foi um grande achado. Isso porque fui comprando os livros das principais disciplinas aos poucos e ainda os pagava de forma parcelada. Com isso, fui formando a base teórica nas matérias essenciais.   

  
*A Motivação Gerada por Prestar Provas*  
  
Em 2022, cerca de um ano após o início dos estudos, aventurei-me a fazer as primeiras provas (PGE-PA, PGE-SC e AGE-MG). Obviamente, os resultados foram pequenos, insuficientes para a aprovação na fase objetiva. Contudo, cheguei a acertar mais de 50% nas três provas que fiz naquele ano. Isso me deu mais motivação para continuar com o projeto. Afinal, se tinha alcançado esse percentual de acertos com apenas um ano de estudos e com a base teórica ainda incompleta, ficou claro que era possível superar a nota de corte mediante mais tempo de estudos e a formação da base.  
Sobre isso, vale trazer ao conhecimento o relato de um amigo que está na caminhada. Ele sempre se recusava a fazer provas quando o convidava. Dizia que ainda não estava preparado. Finalmente em 2025, ele resolveu prestar o concurso da PGE-PI. Desde então, ele tem estudado com mais afinco e compromisso. Ganhou entusiasmo. Antes, estudava quando era possível e de forma descompromissada.  
Disso, extrai-se a lição de que fazer provas funciona como instrumento motivador dos estudos. Então, pare de procrastinar. Não espere se sentir preparado porque esse sentimento raramente se manifestará. Aventure-se a prestar provas, pois isso te impulsionará e te envolverá ainda mais nos estudos, na realização do teu sonho.  

   
A PRIMEIRA VIRADA DE CHAVE  
  
No ano seguinte (2023), segui reforçando a base e fazendo provas (PGE-PA, PGF e PGFN). As notas melhoraram em relação ao ano anterior, mas ainda não foram suficientes para a aprovação na objetiva. A média em relação às três provas foi de seis pontos abaixo das notas de corte.  
A primeira virada de chave ocorreu quando passei a estudar os informativos do STF e do STJ comentados pelo Dizer o Direito. Não sei exatamente a época em que comecei a estudá-los, mas deve ter sido por volta de 2023 e 2024. Certo é que iniciei o estudo deles pela versão gratuita disponibilizada no site dizerodireito.com.br e, em maio de 2023, fiz a primeira assinatura do Buscador Dizer o Direito, a qual renovo anualmente desde então.  
Com esse estudo, passei a fixar mais as teses dos tribunais superiores, além de reforçar a base teórica, que é abordada nos comentários. Comecei lendo os informativos mais recentes, avançando para os mais antigos, até, aproximadamente, 4 anos para trás. Além disso, lia os informativos que eram publicados semanalmente.  
No início, eu lia integralmente os comentários das teses relativas às disciplinas mais cobradas em provas de procuradorias. Não lia, por exemplo, as teses de Direito Penal e Processual Penal. Só as estudava se tivesse algum edital aberto cobrando essas disciplinas.  
Contudo, a leitura integral dos comentários demandava muito tempo. Isso, de certo modo, acabava impactando, negativamente, no avanço de aquisição de conteúdo. Isto é, eu tinha menos tempo para estudar assuntos ainda não estudados e para revisar.  
Mas depois fui ganhando mais habilidade. Assim, só lia os comentários, caso não entendesse a tese. Também destacava as teses que, ao meu ver, eram mais afetas a procuradorias. Então, quando revisava os informativos, estudava apenas as teses destacadas. Isso me rendia mais tempo para estudar outros conteúdos.   
Dessa forma, em 2024 veio a primeira aprovação na objetiva. Foi na PGE-GO. Embora não tenha passado na discursiva, considero que já foi uma grande conquista. Isso renovou minhas energias para me manter estudando. Por isso, destaco mais uma vez: a leitura dos informativos do STF e do STJ comentados pelo Dizer o Direito foi a primeira virada de chave. Significou aquisição de conhecimento para conquistar minha primeira aprovação numa prova objetiva.   
  

A SEGUNDA VIRADA DE CHAVE  
  
Bem, eu já estava batendo na trave, ou seja, minhas notas, nas provas objetivas, já estavam próximas da nota de corte. Contudo, ainda não eram suficientes. Era necessário furar a bolha, isto é, superar a nota de corte.  
Foi nessa fase que o blog https://www.eduardorgoncalves.com.br/, do professor @eduardogoncalves , muito me ajudou. Foram publicados quatro artigos sobre como sair da estagnação. As dicas foram: 1) mapeamento e separação de erros por matéria nas últimas provas (https://www.eduardorgoncalves.com.br/2021/10/o-primeiro-passo-para-sair-da.html); 2) planejamento de uma maratona de leitura ativa da lei seca (https://www.eduardorgoncalves.com.br/2021/10/o-segundo-passo-para-sair-da-estagnacao.html); 3) consolidação e reforço da jurisprudência (https://www.eduardorgoncalves.com.br/2025/09/terceiro-passo-para-sair-da-estagnacao.html); e 4) inclusão massiva de questões na rotina diária (https://www.eduardorgoncalves.com.br/2025/09/quarto-passo-para-sair-da-estagnacao.html).   
Eu já tinha uma boa base na jurisprudência, pois, como disse acima, eu lia e relia os informativos do Dizer o Direito. Também cumpria uma rotina razoável de resolução de questões. Entretanto, percebi que era necessário intensificar a leitura da lei seca, bem como reforçar o estudo naquelas disciplinas e conteúdos, com diagnóstico elevado de erro em questões.  
Assim, parti para o ataque. Lembro que passei a estudar bem mais a letra da lei. Estudava os conteúdos, não mais pela doutrina, mas diretamente na legislação. Afinal, a lei deve ser a fonte primária do estudo do direito. Não encontrei para citar aqui, mas lembro de ter lido na obra do professor @elpidiodonizetti, que o estudo do direito deve partir da lei. O estudante, antes de ler um manual, deve ler primeiro a lei. Para o estudo da lei, valeu muito o curso do @mentoriadeleiseca. Aprendi a observar os detalhes importantes da lei cobrados nas provas.  
Com relação à dica 1 (mapeamento e separação de erros por matéria nas últimas provas), recordo de ter identificado deficiência no aprendizado de Direito Processual Civil, especialmente nos assuntos relativos à ordem do processo no tribunal e a recursos. Então, para sanar essa insuficiência, incluí, no meu planejamento de estudos, mais um dia dedicado a Processo Civil.  
Além disso, aumentei a meta diária de resolução de questões. Para isso, eu já utilizava há muito tempo o qconcursos.com e passei a utilizar concomitantemente o decorandoaleiseca.com.br.  
Deu certo! Seguindo essas dicas do blog, consegui furar a bolha. Fui aprovado, em 2025, nas objetivas da PGE-MT e da PGE-TO.  

  
O ESTUDO PARA A PROVA DISCURSIVA  
  
Apesar de considerar o projeto fantástico, não cheguei a participar nenhuma vez do Superquarta porque os temas são voltados mais para MP e magistratura, geralmente envolvendo questões relacionadas com Direito Penal e Processual Penal. Essas disciplinas não são tão cobradas nas provas de procuradorias. Contudo, cheguei a ler algumas respostas que tinham certa relação com a carreira.  
Seguindo a orientação da maioria dos professores com perfil no Instagram, eu deixei para me preparar para a fase discursiva, após a aprovação na objetiva. Os mestres dizem que basta aplicar, na subjetiva, o conhecimento acumulado na fase objetiva. De certa forma, isso faz sentido. Não sei se é a melhor estratégia, mas para mim funcionou. Entretanto, esse método, obviamente, não é tão eficaz quando a objetiva e a discursiva são no mesmo fim de semana.  
Para quem deseja treinar discursiva voltada para procuradorias concomitantemente com o estudo da objetiva, acredito que o professor @ubirajara_casado oferece um curso permanente voltado para essa fase. A propósito, ele não concorda com a estratégia de deixar o treino da discursiva só para depois da objetiva.   
Outra possibilidade é a assinatura do @treine.subjetivas. Nessa plataforma, há um grande acervo de provas subjetivas de várias carreiras, incluindo procuradorias, com espelho de resposta da própria banca e sugestão de resposta elaborada por professor da plataforma.  
Para a discursiva da PGE-TO, eu me preparei pelo curso do professor @marciliofer. Fiz a aquisição logo depois da divulgação do gabarito, pois já havia expectativa de aprovação. As aulas começaram logo em seguida também. Acredito que na mesma semana. Considero um curso muito bom, sobretudo porque possui metas diárias de treinos, além de encontros virtuais semanais com os professores.   
Como comentei acima, eu me achava incapaz de ser aprovado numa fase subjetiva. Isso me atormentava na hora de redigir um texto. Eu meio que paralisava. Destaco, com isso, a dificuldade que tive na elaboração das primeiras respostas das questões propostas pelo curso. Para responder às primeiras questões do curso, levava mais de uma hora. Contudo, na reta final, eu já desenvolvia a maioria das respostas dentro do limite de tempo sugerido, ou seja, cerca de 30 a 40 minutos para aquelas com até 30 linhas e 1,5 hora para a peça/parecer de 120/150 linhas.  
A princípio, eu resisti muito em praticar. Chegava a cogitar não treinar e deixar para me virar na hora da prova. Jamais se deve fazer isso. O treino é muito importante. É preciso condicionar a mente para elaborar textos, tal como fazemos com o corpo através da atividade física. Além disso, vamos nos familiarizando com o modo de cobrança das bancas e das respostas requeridas.   
Entre a prova objetiva e a discursiva da PGE-TO, houve um interstício de pouco mais de 2 meses. Nesse período de preparação intensa sofri muito de fortes dores de cabeça e estudava mesmo assim. Contudo, graças a Deus, obtive a vitória. Consegui a tão desejada aprovação. Fui aprovado em terceiro lugar na discursiva e em 5º, na classificação final.    

  
RESILIÊNCIA E MOTIVAÇÃO.  
  
Nesse projeto, temos que nos adaptar às circunstâncias da vida. Teve um período em que estudava à tarde, no trabalho, após o expediente. Noutro período, isso não foi mais possível porque tinha que levar meu filho para a escolinha de futebol às 14h. Então, passei a estudar à noite, em casa. Estudava no calor, com barulho e com o incômodo de carapanãs (muriçocas ou pernilongos). Embora possuísse um quarto de estudos, não podia fechá-lo e ligar a central de ar. Isso porque tinha que economizar na conta de energia elétrica.   
Lembro também de aproveitar todos os momentos livres possíveis para estudar, tal como enquanto esperava o término da aula de pilates da minha mãe, durante o treino de futebol do meu primogênito e até quando aguardava meus filhos brincarem no parquinho do condomínio.   
Recordo-me de interromper o estudo para deitar com meus filhos até eles pegarem no sono, por volta de 21h30. Depois, embora estivesse cansado, buscava forças na alma, para levantar e voltar a estudar até 23h/24h.   
Na reta final, tivemos que alugar um quarto da casa, para ajudar no orçamento. Por isso, perdi o cômodo de estudos. Tive que me adaptar a estudar no nosso quarto de casal. As crianças dormem juntas conosco. Perto da hora de dormir era aquela bagunça e barulheira. Eu colocava o fone de ouvido e me mantinha estudando mesmo assim. Chegada a hora deles dormirem, desligávamos a luz e eu continuava no escuro, apenas com a iluminação do notebook.  
Como consegui? Sustentado na minha motivação, no meu desejo de melhorar de vida, de proporcionar uma educação de qualidade aos meus filhos, de desfrutar do direito ao lazer, de viajar com a família, dentre outras coisas.  
Assim, a lição que deixo é: não espere o lugar e o momento perfeito para estudar. Seja resiliente e adapte-se às circunstâncias sempre que for preciso. Além disso, tenha sempre em mente os motivos pelos quais está estudando. Use sua motivação como sustentáculo. Reafirme-a o tempo todo.  
  

*Ressignificando a Questão da Idade*  
  
Muitas pessoas de 40 anos ou mais de idade perguntam se são velhas para começar a estudar para concurso público. Sentem que não há mais tempo para se preparar por conta da idade. Percebo isso, nas caixinhas dos professores.  
Bem, eu comecei a estudar para o cargo de Procurador de Estado aos 47 anos. É claro que a idade chegou a me incomodar. Também pensei não haver mais tempo. Contudo, nessas horas, eu procurava ressignificar essa questão, da seguinte forma: concentrava-me em visualizar o tempo em que poderia exercer o cargo até a aposentadoria compulsória, aos 75 anos. Por exemplo, eu nutria o pensamento com a possibilidade de ainda exercer o cargo por 20 ou 15 anos, caso fosse aprovado aos 55 ou 60 anos, respectivamente. É um tempo razoável para exercer o cargo e desfrutar dos benefícios que o mesmo proporciona. Foi assim que superei essa questão.  
Um símbolo de superação nesse tema é o Aguimael Valadares de Freitas. Ele passou na PGE-SP aos 67 anos. Vale a pena ler sua história que está disponível em vários site, como em https://apesp.org.br/2025/06/procurador-aguimael-valadares-de-freitas-e-um-sonho-de-todo-concurseiro-ser-aprovado-em-uma-procuradoria-tao-relevante-como-a-pge-sp/   

  
O ARREPENDIMENTO E A DOR.  
  
A vida não estaciona para estudarmos. É preciso ter isso em mente para tornar a jornada menos pesada. Envergonho-me do que vou dizer agora. Vou declarar porque o depoimento tem o propósito de motivar e alertar outras pessoas.   
Eu ficava extremamente irritado quando algo me tirava da rotina de estudos. Isso acontecia, por exemplo, quando alguém de casa adoecia e eu tinha que levar ao hospital. Arrependo-me bastante de, nessas ocasiões, demonstrar descontentamento para minha família.  
Também dói no coração quando lembro das vezes em que perdi a paciência com meus filhos, porque estavam fazendo barulho e tirando minha concentração. Na verdade, eles estavam apenas brincando, vivendo a infância.   
Nessa caminhada, contei muito com o apoio da minha esposa. Ela assumiu a maior parte dos cuidados com nossos filhos. Suportou minhas ausências no relacionamento. Tudo para que eu pudesse me dedicar aos estudos. Porém, muitas vezes, fui insensível e egoísta, nas ocasiões em que ela demonstrou precisar de atenção e companhia, chegando a pensar que ela não estava apoiando o meu projeto. Envergonho-me muito disso.   
Por isso, destaco que é importante compreender que aqueles que estão nos apoiando também possuem suas necessidades. Então, vale a pena parar um pouco e dar a atenção adequada àquela pessoa.  
Entristeço-me também ao lembrar das vezes em que fui ríspido com minha mãe, nas ocasiões em que me pedia um favor ou me pedia para levá-la a algum lugar. Ela fazia de tudo para não me atrapalhar. Só pedia as coisas em último caso.    
Espero que um dia eu possa reparar esses erros e, de alguma forma, compensar minha família com coisas boas. Desejo que não tenham guardado esse mal no coração e, se guardaram, que me perdoem.  
  

A FÉ  
  
A fé foi um pilar de sustentação nessa caminhada e uniu ainda mais a minha família. Próximo da aprovação, quando já estava alcançando a nota de corte, por volta do final de 2024 e 2025, fiquei em dúvida se valeria a pena continuar estudando. Questionava-me acerca de nunca conseguir a aprovação, da ausência na família, do não aproveitar a vida, dentre outros questionamentos que colocam a continuidade do estudo em xeque e nos fazem pensar em desistir do sonho.   
Foi então que orei a Deus e pedi um sinal se deveria continuar ou parar. O Senhor me respondeu. Eu entendi o sinal e, graças a Ele, continuei e alcancei a vitória. Sou muito grato a Deus. Sem Ele, essa conquista não seria possível.   
A caminhada também serviu para aumentar a fé da minha família e fortificar nossos laços de união. Na reta final, eu, minha esposa e nossos filhos orávamos juntos pela aprovação. Desde então oramos juntos todas as noites e vamos para a igreja todos os domingos.  
A minha mãe orou veementemente, sem cessar, todos os dias pela minha aprovação.  
Meus irmãos também pediram muito a Deus por mim.  
Minha esposa jejuou em prol da minha aprovação, sobretudo nos dias que antecederam as provas.   
Conferimos o resultado final juntos. Gritamos, pulamos, nos abraçamos, choramos e agradecemos. No domingo da mesma semana, fomos à igreja e demos o testemunho.   
Deus ouviu nossas preces. Obrigado, Pai Celestial!  
Tenha fé, peça forças a Deus e não desista de seus sonhos. Você alcançará a aprovação também.  

Eduardo, em 31/10/2026
No instagram @eduardorgoncalves 


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